O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 6 votos a 5, que a execução da pena após condenação em segunda instância não é mais permitida. A decisão, tomada no julgamento de três habeas corpus, altera o entendimento que vigorava desde 2016 e determina que a prisão só pode ocorrer após o trânsito em julgado. A medida atinge diretamente milhares de réus e tem impacto imediato sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava preso desde abril de 2018 com base na condenação em segundo grau no caso do triplex do Guarujá.

A virada na jurisprudência do STF

Em 2016, por 6 a 5, o STF havia permitido a prisão após condenação em segunda instância, entendimento que foi aplicado a Lula e a muitos outros presos. Agora, o placar se inverteu. O ministro Marco Aurélio Mello liderou a corrente favorável ao retorno à regra do trânsito em julgado, sendo acompanhado por Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli. Votaram contra a mudança Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Luiz Fux e Cármen Lúcia. A decisão foi apertada e reflete a divisão da corte sobre o tema.

O caso Lula

Lula foi condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) em janeiro de 2018, e sua prisão começou em 7 de abril de 2018. Com a nova decisão do STF, a defesa do ex-presidente ingressou com pedido de soltura na Justiça Federal de Curitiba. O juiz responsável determinou a libertação, e Lula deixou a prisão em 8 de novembro de 2019. O ex-presidente ainda responde a outros processos, mas a decisão sobre a prisão em segunda instância representa uma vitória processual importante para ele e seus aliados.

A reação de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro foi questionado por jornalistas sobre a decisão do STF e sobre a soltura de Lula. Em resposta, Bolsonaro afirmou que respeita a decisão judicial, mas criticou o resultado. "Não vou entrar em canoa furada", declarou, ao ser perguntado sobre um possível enfrentamento com o STF ou sobre o impacto político do caso. O presidente evitou ataques diretos ao tribunal e disse que o ex-presidente Lula "não é mais problema" para ele. A declaração foi interpretada como uma tentativa de não desgastar a relação com o Judiciário, mas também como um sinal de que o governo pode buscar alternativas legislativas para endurecer as regras penais.

Repercussão política e jurídica

A decisão do STF gerou reações imediatas no Congresso e na sociedade. Parlamentares da oposição comemoraram a vitória de Lula e criticaram o governo. Já a base governista classificou a decisão como "um erro" e prometeu articular uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para permitir a prisão em segunda instância. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, defendeu o cumprimento da decisão, mas reconheceu a necessidade de discutir o tema. Juristas se dividem: alguns celebram o respeito à presunção de inocência, outros alertam para o risco de impunidade em um sistema recursal lento.

Principais pontos sobre a decisão

Perguntas frequentes sobre o julgamento

1. O que o STF decidiu exatamente?

O STF decidiu que a prisão após condenação em segunda instância é inconstitucional. Agora, a prisão só pode ocorrer depois que todos os recursos forem julgados (trânsito em julgado).

2. Por que o STF mudou de posição?

O tribunal reexaminou a matéria e entendeu que a presunção de inocência deve ser aplicada até o trânsito em julgado, conforme o artigo 5º, inciso LVII, da Constituição.

3. Lula foi solto? Quando?

Sim, Lula deixou a prisão em Curitiba no dia 8 de novembro de 2019, após a Justiça Federal acatar o pedido de sua defesa com base na nova decisão do STF.

4. O governo Bolsonaro pode reverter essa decisão?

O governo pode apoiar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altere a regra. No entanto, qualquer mudança depende de aprovação no Congresso Nacional em dois turnos, o que é um processo demorado.

5. Outros presos serão soltos?

A decisão abre precedente para que todos os réus que estão presos provisoriamente com base em condenação em segunda instância possam pedir a soltura. O STF deve analisar recursos para uniformizar o entendimento em todo o país.