A seguir, apresentou os mais próximos, usando provocações ao presidente Jair Bolsonaro: “Quero apresentar o nosso quase presidente, se não fosse roubado, Fernando Haddad” e “Este amigo aqui que capitão, não um tenente que ao se aposentar virou capitão”.

O ex-presidente, que seguiu para São Bernardo do Campo, sede do Sindicato dos Metalúrgicos que presidiu, e de onde, em abril de 2018, partiu para a prisão, quer agora aproveitar para viajar pelo Brasil e assumir-se como uma espécie de líder da oposição ao governo de Bolsonaro, apesar de a sua atual situação jurídica não o permitir candidatar-se a cargos públicos por enquanto.

A colunista Denise Rothenburg, do jornal Correio Braziliense, escreve que “Enquanto alguns defendem um ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde Lula foi preso em 7 de abril do ano passado e que ele comece a percorrer o pais na semana que vem”, outros têm “Receio de que esse périplo acirre a divisão no país e sirva de justificativa para que os aliados do presidente Jair Bolsonaro tentem classificar qualquer ato como”baderna” ou coisa que o valha, a fim de vir com medidas de restrição de liberdade”.

Cientistas políticos, aliás, assinalam que será o centro do espetro partidário brasileiro o mais prejudicado com a libertação de Lula e não Bolsonaro.

“Nem há ainda um movimento de centro bem constituído, e faltam três anos para a eleição presidencial, quando esse movimento pode aparecer. Mas, nessa lógica de dois polos que se reforçam e se ampliam, o espaço do centro se reduz. Especialmente porque ainda não tem lideranças claras”, continuou.

“De um lado, as pessoas que protestaram nos primeiros meses do ano contra cortes na educação, por exemplo. Essa ponta será galvanizada caso haja a presença de Lula. Do outro lado está a massa de ‘indignados’, os que protestam contra a corrupção, vestindo verde e amarelo. Esses serão estimulados pela base de Bolsonaro, que tratará uma libertação de Lula como exemplo de ‘impunidade’ e usará o sentimento de indignação para chamar protestos”.

Uma vez aceite esse recurso, a condenação seria anulada e Lula poderia até candidatar-se a cargos públicos - para já não pode ao abrigo da Lei da Ficha limpa que impede condenados em segunda instância de o fazerem.

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Originalmente Publicado: 8 de Novembro de 2019 às 17:45

Fonte: Www.dn.pt