Intitulada “Acontecimentos no Iraque e luta contra o terrorismo”, a nota mostra que o Brasil assumiu o lado americano no conflito entre EUA e Irã, apesar de também afirmar que o paísl está “Pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento”.

Não podemos resolver o problema sozinhos, mas temos uma capacidade de ajudar muito maior do que se imagina, desde que haja vontade política, como hoje há. Os riscos do terrorismo estão aí, em função da própria existência do terrorismo.

Isso seria deixar-se intimidar, que exatamente o que os terroristas querem - explicou essa fonte ao GLOBO. Esse posicionamento alvo de críticas e motivo de preocupação de funcionários na ativa que estão servindo em países do Oriente Médio.

Para Amorim, houve uma execução sumária do general, sem que o tema fosse nem sequer discutido no Conselho de Segurança da ONU. Ele reconheceu que os EUA já adotaram medidas unilaterais antes, mas argumentou que essas ações, normalmente, eram precedidas de debates entre os atores internacionais.

Essa união levaria ao endosso pleno da comunidade internacional ao que for que os EUA façam, em sua concepção demasiado ampla do que seja terrorismo - disse Abdenur.

A questão que, com a nota, o governo Bolsonaro passou duas mensagens que contradizem o entendimento tradicional da diplomacia do país: ao endossar a ação, o Brasil ignora que assassinatos dirigidos são ilegais pelo direito internacional; e, ao classificar a decisão do presidente Donald Trump como combate ao terrorismo, sugere considerar que a Guarda Revolucionária do Irã, cuja unidade de elite, as Forças Quds, era chefiada por Soleimani, um grupo terrorista.

Eduardo Saldanha, advogado e professor da Escola de Direito da PUC do Paraná, lembrou que existe um acordo firmado por EUA e Iraque que permite a defesa de cidadãos americanos naquele país, na hipótese, por exemplo, de ataques embaixada e aos consulados dos EUA. Essa seria uma explicação para que a operação ocorresse em território iraquiano, e não no Irã. - Sob o ponto de vista do direito internacional, preciso verificar se houve ou não violação do acordo entre EUA e Iraque, que, por sua vez, poderá requerer uma investigação.

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Originalmente Publicado: 4 de Janeiro de 2020 às 19:30

Fonte: Globo