A 10 meses de disputar a reeleição para o posto de presidente dos Estados Unidos e diante de um processo de impeachment no Congresso - no qual acusado de ter usado o aparato diplomático americano para benefício pessoal e político -, Donald Trump tomou pessoalmente a decisão de levar a cabo um ataque aéreo ao Aeroporto Internacional de Bagdá, no Iraque, que levou morte do general iraniano Qassem Soleimani, chefe da Força de inteligência Quds, na última quinta.

“Para ser eleito, Barack Obama vai iniciar uma guerra contra o Irã”. O comentário foi postado via Twitter por Donald Trump em novembro de 2011, cinco anos antes que o empresário de Nova York se convertesse no 45º presidente dos Estados Unidos, e oito anos antes que ele mesmo se visse diante de uma acusação semelhante.

Outra das promessas de campanha de Trump era a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear firmado entre Barack Obama e o presidente iraniano Hassan Rohani, em que o Irã se comprometia a reduzir o beneficiamento de urânio em troca do alívio de sanções financeiras ao país.

“Se você olhar para o padrão nos últimos meses, o fato de que eles realizaram ou foram acusados de realizar esses diferentes incidentes sem uma resposta enérgica, uma resposta militar e armada, pode ter encorajado os iranianos a ver até onde poderiam ir”, afirma Naysan Rafati, especialista em Irã da organização internacional de prevenção de conflito Crisis Group.

“Tem havido uma espécie de fervura constante nos últimos meses. Mas, nos últimos dias, pela primeira vez, um cidadão dos EUA foi morto em um dos ataques. E então tivemos o tumulto na embaixada. A situação assumiu uma nova dinâmica e os EUA decidiram responder não mais apenas com sanções e ataques cibernéticos. Mas indo diretamente atrás de altos oficiais militares iranianos. E, no que diz respeito às altas autoridades iranianas, provavelmente não há ninguém tão significativo quanto Soleimani. Sua morte para os iranianos um ato de guerra”, argumenta Rafati.

“Acho que o presidente não está procurando brigas no exterior para o consumo político doméstico. O que vimos foi uma ameaça legítima para nós, a embaixada foi atacada. E Bengazi ainda está nas mentes dos eleitores, Trump foi um grande crítico e não poderia agora dar uma resposta insuficiente”, afirmou BBC News Brasil o analista político Michael Johns, um dos autores de discursos presidenciais durante a gestão republicana de Bush.

“Em caso de guerra, não há garantia de que os Estados Unidos vençam. Claramente, o Irã não pode derrotar os Estados Unidos de uma maneira convencional, no sentido militar. Mas pode fazer uma guerra tão longa e tão cara que os americanos não poderão vencê-la politicamente”, afirma Modad. Para ele, o melhor exemplo desse tipo de situação o Iemên.

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Originalmente Publicado: 5 de Janeiro de 2020 às 11:08

Fonte: Globo