Porém, ao fazer uma leitura mais atenta do dado, alguns economistas apontaram surpresas que podem trazer mais dúvidas sobre o ritmo de cortes de juros pelo Comitê de Política Monetária, que terá a sua próxima reunião para definir a Selic no dia 5 de fevereiro.

Assim, o dado acende um sinal inicial de alerta de que a inflação pode não ser tão benigna quanto observado nos últimos anos em virtude do maior aquecimento do mercado de trabalho e atividade econômica.

Conforme ressalta Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, as pressões recentes nos núcleos e em serviços no IPCA-15 devem, provavelmente, levar o Copom a analisar cuidadosamente dados futuros com o objetivo de determinar se o custo-benefício de cortes de juros moderados adicionais no primeiro trimestre está garantido.

“O IPCA completo de janeiro, no entanto, não será um deles, já que deve ser divulgado apenas no dia 7 de fevereiro”, avalia.

PUBLICIDADE. Eles reforçam que o IPCA para 2019 foi de 4,31% em 2019, ligeiramente acima do centro da meta do Conselho Monetário Nacional, mostrando que uma postura mais cautelosa em relação política monetária uma boa decisão quando as taxas de juros já estão nas mínimas históricas.

“O mercado hoje reagiu negativamente ao IPCA-15, que trouxe um número pior qualitativamente, em núcleos e serviços. Mas voltou bastante depois que presidente do BC desqualificou a piora dos núcleos e disse que o choque de oferta passageiro”, destacou Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos, em entrevista Bloomberg.

“Acho que foi um recado de que há espaço para corte de 0,25 pp”, apontou ainda, ao destacar, contudo, que não acha que o BC deveria reduzir a Selic neste momento.

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Originalmente Publicado: 23 de Janeiro de 2020 às 18:55

Fonte: InfoMoney