As palavras do irmão que morava em Boston encheram de esperança o jovem Edilson, que andava desanimado com o futuro pouco promissor em Governador Valadares, cidade de 279 mil habitantes que ganhou fama nacional por ser grande “Exportadora” de brasileiros que emigram para os Estados Unidos.

Depois de viver por 20 anos em Boston e ser deportado de volta ao Brasil em 2008, quando recebeu uma carta do serviço de imigração americana dando 90 dias para que ele deixasse o país, Edilson diz que só tem coisas boas a dizer sobre os Estados Unidos, que lhe deram, principalmente, oportunidades.

“E outra coisa: incrível quando você para para analisar que um faxineiro dentro de um país daquele tem oportunidade de vestir, morar, ter saúde, tratar de uma família, andar em um carro bom. Lá você não se mata de trabalhar. Trabalhando em período integral, você e a esposa conseguem trabalhar para sustentar uma família, ter um carro para andar, e participar das coisas que uma sociedade normal participa. Ir num restaurante, ir numa loja”, afirma.

“Escravos nós somos aqui. Absurdo de se viver nesse país. Eu trabalho aqui oito, quinze, dezesseis horas por dia. Para eu manter um carro a coisa mais difícil, no meu próprio país. Com o salário de uma pessoa que faxina uma residência nos EUA, as pessoas que trabalham limpando lojas até cinco horas da manhã, elas têm condições de ter uma vida. Eles podem morar, beber, vestir, escolher a culinária que querem comer. Aquele país um espetáculo, eu não consigo ver o lado ruim daquele país. E olha que eles me prenderam e eu fui deportado”, afirma.

“Aqui no nosso país quando que um faxineiro consegue comprar uma casa, comprar um carro, e quitar direitinho as dívidas, pagar os impostos no final do ano, levar o filho para comprar roupa?” Ele afirma que até compreende a postura mais rígida dos EUA para barrar os imigrantes, inclusive os brasileiros.

“Quando você chega lá em Tijuana, para fazer a travessia para San Diego, você tem que nadar a largura de um rio, uns 20 metros, menor que o Rio Doce. Mas dá medo porque água corrente, a água corre rápido.” Conta que, quando chegou a vez de ele e o irmão fazerem a travessia, tiveram também que socorrer um companheiro que não sabia nadar.

“Quando eu cheguei, fiquei muito triste, desesperado. Pensava ‘Por que eu vim embora?', ficava chateado, pelos cantos chorando, não sabia o que fazer. Minha irmã me falava porque você está desse jeito? A vida que você tem está boa, você não deve nada a ninguém, você tem um patrimônio, onde você quer você vai. Mas a gente fica muito estressado.”

Este artigo foi resumido em 77%

Originalmente Publicado: 15 de Fevereiro de 2020 às 09:48

Fonte: Globo