A Vermelho e Branco de Niterói, como conhecida a Viradouro, volta a levar o título depois de 23 anos -no ano passado, foi vice-campeã com um enredo sobre histórias encantadas-.

Com alegorias e fantasias luxuosas, a Viradouro foi uma das escolas que mais animou o público da Sapucaí, desde a comissão de frente, que trouxe uma atleta no nado sincronizado, Anna Giulia, como uma sereia em um aquário de sete mil litros de água.

A ala das baianas, que representaram quituteiras, com saias bordadas com abarás, acarajés e tapiocas, jogou cocada para a arquibancada.

Com influência do afoxé, ritmo baiano de matriz africana, nos batuques e na melodia, o samba da escola campeã cantou as mulheres escravizadas de Salvador, que, no século XIX vendiam comida e lavavam roupas na lagoa do Abaeté e, com o dinheiro arrecadado, compravam sua própria alforria e a de outras mulheres.

A Viradouro conquistou público, críticos e jurados ao aliar uma forte tradição cultural, com referências ancestralidade negra, atualidade de questões feministas.

Com a proposta de dar um mergulho na Lagoa do Abaeté e no mar de Itapuã, a Viradouro homenageou Oxum, tocando um ijexá -com um atabaque gigante no meio dos ritmistas- em diversos momentos do desfile.

A Viradouro também mostrou a transformação dos terreiros em ateliês onde as mulheres realizavam manufaturas e fez um passeio pelas manifestações folclóricas que influenciaram o surgimento d’As Ganhadeiras de Itapuã.

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Originalmente Publicado: 26 de Fevereiro de 2020 às 19:01

Fonte: Elpais.com