A Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado anunciaram, nesta sexta-feira (1º de maio), um conjunto de medidas para reforçar o isolamento social na capital paulista. A partir de segunda-feira (4), diversas vias de grande circulação serão bloqueadas para reduzir o fluxo de veículos e pedestres, como forma de conter o avanço da COVID-19. A iniciativa faz parte do plano de flexibilização gradual, mas diante da alta taxa de ocupação de leitos de UTI, a estratégia foi intensificar as restrições.
Segundo informações divulgadas pela gestão municipal, os bloqueios ocorrerão em pontos estratégicos da cidade, especialmente nas regiões com maior concentração de casos confirmados. As barreiras sanitárias serão montadas com cones, cavaletes e viaturas, com apoio da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar. Motoristas e passageiros serão abordados para verificação de necessidade de deslocamento, e apenas viagens essenciais serão permitidas.
Vias que terão bloqueios
De acordo com o levantamento da Secretaria Municipal de Transportes, as seguintes vias serão afetadas pelos bloqueios a partir de segunda-feira:
- Avenida Paulista – principal via financeira da cidade, terá interdições parciais nos cruzamentos com a Rua Augusta e a Alameda Santos, com acesso controlado.
- Marginal Tietê – serão instaladas barreiras nas saídas para a Ponte das Bandeiras e Ponte do Piqueri, direcionando o tráfego.
- Marginal Pinheiros – bloqueios nas proximidades da Ponte Estaiada e do Cidade Jardim, com orientação para evitar deslocamentos não essenciais.
- Avenida 23 de Maio – a via expressa terá pontos de interdição nos sentidos bairro-Centro e Centro-bairro, próximo ao Parque Ibirapuera.
- Avenida dos Bandeirantes – bloqueio no trecho entre a Ponte do Socorro e a Avenida Jornalista Roberto Marinho.
- Ponte Octávio Frias de Oliveira (Ponte Estaiada) – acesso controlado com orientação das equipes de trânsito.
- Avenida Rebouças e Avenida Dr. Arnaldo – interdições parciais nos horários de pico.
Além das vias arteriais, bairros como Jardins, Moema, Vila Mariana e Pinheiros terão pontos de bloqueio em ruas secundárias, impedindo o trânsito de passagem.
Objetivo das medidas
A ação visa elevar a taxa de isolamento social na capital, que na última semana havia ficado abaixo de 50%. Segundo especialistas em saúde pública, índices inferiores a 55% são insuficientes para achatar a curva de contágio. Com as restrições de circulação, a expectativa é que a adesão ao isolamento ultrapasse 60% nos próximos dias.
O prefeito Bruno Covas (PSDB) e o governador João Doria (PSDB) reforçaram em coletiva que as medidas são temporárias e serão reavaliadas semanalmente. "Não se trata de um lockdown generalizado, mas de uma ação cirúrgica para evitar aglomerações e deslocamentos desnecessários em áreas críticas", afirmou o prefeito.
Recomendações à população
As autoridades orientam que moradores das regiões afetadas só saiam de casa para atividades essenciais, como compras de alimentos, medicamentos ou atendimento de saúde. Serviços como farmácias, supermercados e hospitais continuam funcionando. Quem precisar transitar pelas vias bloqueadas deve portar comprovante de necessidade ou documento que justifique o deslocamento.
A fiscalização será intensificada com apoio de câmeras de monitoramento e drones. Infrações de trânsito poderão ser aplicadas em caso de desobediência às orientações das equipes. A multa por descumprimento de medida sanitária pode chegar a R$ 5 mil para pessoas físicas.
Impacto no transporte público
A CPTM e o Metrô manterão a operação normal, mas com reforço da limpeza e distribuição de máscaras. Ônibus municipais terão frota reduzida, mas linhas essenciais serão mantidas. A prefeitura recomenda evitar o transporte público se possível, para reduzir aglomerações.
Os bloqueios nas vias não devem afetar diretamente o transporte coletivo, mas podem causar alterações em itinerários de linhas que trafegam pelas áreas interditadas. A SPTrans informou que monitora a situação e pode fazer desvios momentâneos.
Contexto da pandemia
Na data do anúncio, São Paulo contabilizava mais de 10 mil mortes por COVID-19 e ocupação de 85% dos leitos de UTI na capital. A taxa de letalidade era de cerca de 7%, superior à média nacional. O sistema de saúde estava sob forte pressão, com filas de espera por vagas em UTIs.
O bloqueio de vias foi uma das últimas medidas antes de um possível lockdown total, que chegaria a ser discutido nas semanas seguintes. A estratégia de barreiras sanitárias já havia sido adotada em cidades do interior, como Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, com resultados positivos na redução da mobilidade.
A expectativa é que, com os bloqueios, a taxa de isolamento suba para 60% e se aproxime da meta de 70% defendida por epidemiologistas. A eficácia das medidas será avaliada com base nos dados de circulação fornecidos por operadoras de telefonia e sistemas de monitoramento de trânsito.
Reações
A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) criticou a medida, alegando prejuízos ao comércio local, mas a maioria da população apoiou a iniciativa, segundo pesquisas de opinião. Nas redes sociais, houve discussões sobre a efetividade dos bloqueios, com alguns apontando que a fiscalização seria insuficiente.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) acompanha a implementação das barreiras para garantir que não haja abusos ou violações de direitos. A Defensoria Pública recomendou que as abordagens sejam feitas com respeito e sem discriminação.
Perguntas frequentes
- Os bloqueios são permanentes?
- Não. A princípio, as medidas valem a partir de segunda-feira (4) e serão reavaliadas semanalmente pela Prefeitura e pelo Governo do Estado.
- Quem pode circular livremente?
- Profissionais de saúde, segurança, imprensa e serviços essenciais têm passe livre, mas podem ser questionados sobre a necessidade do deslocamento.
- Como saber se minha rua será bloqueada?
- A Prefeitura divulgará um mapa interativo no site oficial e informará por meio de aplicativos de trânsito como Waze e Google Maps.
- O que acontece se eu desrespeitar o bloqueio?
- O condutor pode ser multado com base no Código de Trânsito Brasileiro e encaminhado à delegacia por desobediência a ordem sanitária.