A Organização Mundial da Saúde (OMS) reiterou, em coletiva de imprensa realizada em Genebra, que o novo coronavírus (SARS-CoV-2) tem origem natural. A declaração veio em resposta ao aumento significativo de teorias conspiratórias nas redes sociais, que sugeriam que o vírus poderia ter sido criado em laboratório ou escapado de um instituto de pesquisa na China. A OMS enfatizou que todas as evidências científicas disponíveis apontam para uma transmissão zoonótica, e que não há qualquer indício de manipulação genética ou criação artificial. O posicionamento da organização está alinhado com o consenso da comunidade científica global, baseado em análises genômicas detalhadas e investigações epidemiológicas conduzidas desde o início da pandemia.

  • Origem natural: O SARS-CoV-2 surgiu de hospedeiros animais, provavelmente morcegos, com transmissão para humanos por meio de um hospedeiro intermediário.
  • Sem evidências de manipulação: Estudos genômicos não encontram marcadores de engenharia genética; o vírus não foi criado em laboratório.
  • Consenso científico: A origem natural é apoiada por pesquisas publicadas em revistas de alto impacto e pela maior parte dos virologistas.
  • Investigação da OMS em Wuhan: A missão conjunta com a China concluiu que a hipótese de laboratório é "extremamente improvável".
  • Combate à desinformação: Teorias conspiratórias prejudicam a cooperação global, alimentam preconceitos e reduzem a confiança nas instituições de saúde.
  • Recomendação: A OMS pede que a população busque informações em fontes oficiais e científicas, como a própria OMS e os ministérios da saúde.

Contexto da pandemia e as primeiras especulações

Em janeiro de 2020, quando o novo coronavírus começou a se espalhar rapidamente pela China e depois pelo mundo, surgiram as primeiras teorias sobre uma possível origem artificial. Algumas dessas alegações apontavam para o Instituto de Virologia de Wuhan, onde estudos com coronavírus de morcegos eram realizados. No entanto, cientistas de diversos países rapidamente se manifestaram contra essas hipóteses, destacando que a análise genética do SARS-CoV-2 mostrava características típicas de um vírus de origem natural. A própria OMS, desde o início, defendeu que a prioridade deveria ser a investigação científica rigorosa, e não a especulação política.

A posição oficial da OMS

Na coletiva de maio de 2020, a porta-voz da OMS afirmou categoricamente: "Todas as evidências disponíveis até o momento indicam que o SARS-CoV-2 tem origem natural em hospedeiros animais, e não há qualquer indício de manipulação genética ou criação em laboratório". A organização ressaltou que rotular o vírus com nomes geográficos ou associá-lo a teorias conspiratórias atrapalha a cooperação internacional e dificulta o controle da pandemia. A OMS também anunciou que continuaria a apoiar estudos para identificar o hospedeiro intermediário e entender melhor como o salto zoonótico ocorreu.

Evidências genômicas e a origem zoonótica

As evidências científicas que sustentam a origem natural são robustas. O coronavírus encontrado em morcegos-ferradura, denominado RaTG13, possui cerca de 96% de identidade genética com o SARS-CoV-2. Essa similaridade é um forte indicativo de que o vírus humano evoluiu a partir de um coronavírus de morcego. Além disso, estudos identificaram um coronavírus em pangolins (Manis javanica) com grande afinidade pela proteína spike do SARS-CoV-2, sugerindo que esses animais podem ter atuado como hospedeiros intermediários. A estrutura da proteína spike do SARS-CoV-2 está adaptada para se ligar ao receptor humano ACE2 de forma eficiente, mas não apresenta características típicas de engenharia genética – como a presença de sítios de restrição ou sequências sintéticas que seriam esperadas em um vírus criado em laboratório. Pesquisas publicadas nas revistas Nature, The Lancet e Science reforçam essas conclusões.

A investigação conjunta OMS-China

Em 2021, uma equipe internacional de especialistas convocada pela OMS viajou a Wuhan para investigar as origens da pandemia. A comitiva teve acesso a laboratórios, hospitais e ao mercado de frutos do mar onde os primeiros casos foram identificados. O relatório final da missão, divulgado em março de 2021, concluiu que a hipótese de um vazamento de laboratório é "extremamente improvável" e deu forte apoio à teoria da origem natural. O documento também recomendou mais estudos em animais e em mercados de vida silvestre. A OMS continua a defender que a ciência deve guiar a investigação e que a transparência dos países é fundamental para prevenir futuras pandemias.

Impacto da desinformação na saúde pública

As teorias da conspiração sobre a origem do vírus tiveram consequências reais e negativas. Elas alimentaram o discurso de ódio contra pessoas de ascendência asiática, dificultaram a colaboração entre governos e reduziram a confiança da população em medidas de saúde pública, como vacinação e distanciamento social. Estudos mostram que a desinformação leva as pessoas a buscar tratamentos não comprovados e a desobedecer orientações oficiais. A OMS e instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) vêm trabalhando em campanhas de alfabetização midiática e no combate à infodemia – o excesso de informações, muitas delas incorretas, que circulam durante a pandemia. A reiteração da origem natural é também uma tentativa de conter esse fenômeno.

Perguntas frequentes

O que a OMS disse exatamente? A OMS afirmou que o SARS-CoV-2 tem origem natural, baseando-se em evidências genômicas e na ausência de qualquer sinal de manipulação laboratorial. A declaração foi feita em maio de 2020 e reiterada em relatórios posteriores.

Por que essa declaração foi necessária? O crescimento de teorias conspiratórias, especialmente nas redes sociais, estava prejudicando a cooperação global e a confiança nas instituições científicas. A OMS quis reforçar o consenso científico para conter a desinformação.

Quais as principais evidências da origem natural? As principais são: alta similaridade genética com coronavírus de morcegos (RaTG13, 96%), identificação de possíveis hospedeiros intermediários (pangolins), e a ausência de assinaturas de engenharia genética na estrutura do vírus.

O vírus poderia ter sido criado em laboratório? A comunidade científica, incluindo a OMS, considera essa hipótese extremamente improvável. Não há qualquer evidência de que o SARS-CoV-2 tenha sido geneticamente modificado; ao contrário, suas características indicam evolução natural em hospedeiros animais.

O que ainda falta esclarecer? Embora a origem natural seja amplamente aceita, ainda não se sabe exatamente qual foi o hospedeiro intermediário nem o momento exato em que o vírus passou de animais para humanos. Mais estudos e cooperação internacional são necessários para preencher essas lacunas.

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