Em maio de 2013, a torcida do Corinthians protagonizou um dos protestos mais emblemáticos da história do futebol brasileiro. Durante o jogo de volta das oitavas de final da Copa Libertadores contra o Boca Juniors, no Pacaembu, uma faixa branca com letras vermelhas e os dizeres "Federação Internacional de Assassinos" foi estendida na arquibancada, causando comoção, polêmica e repercutindo internacionalmente. O ato foi uma resposta direta à arbitragem considerada tendenciosa no confronto de ida e à postura da CONMEBOL diante da violência nos gramados sul-americanos.

O contexto do jogo de ida

Na partida de ida, disputada em 1º de maio de 2013 na La Bombonera, em Buenos Aires, o Corinthians foi derrotado por 1 a 0. O resultado, porém, ficou em segundo plano diante da atuação do árbitro paraguaio Carlos Amarilla, que deixou de marcar uma penalidade clara a favor do time brasileiro e não puniu com cartões entradas violentas de jogadores do Boca. Jogadores como Paulinho e Guerrero reclamaram ostensivamente, e a comissão técnica, liderada por Tite, classificou a arbitragem como "vergonhosa". A imprensa brasileira destacou o tema nos dias seguintes, alimentando a sensação de injustiça entre os torcedores alvinegros.

A noite do protesto no Pacaembu

No dia 15 de maio, o Pacaembu recebeu mais de 37 mil torcedores para a partida decisiva. Antes mesmo do apito inicial, a torcida organizada Gaviões da Fiel estendeu a faixa no setor leste do estádio. Em letras garrafais vermelhas sobre fundo branco, a mensagem era clara: a CONMEBOL era acusada de permitir a violência dentro de campo e de favorecer clubes argentinos nas decisões da Libertadores. O gesto foi pacífico, mas carregado de ironia e indignação. Durante os 90 minutos, o Corinthians pressionou, criou chances, mas não conseguiu balançar as redes. O jogo terminou 0 a 0 no tempo normal, levando a decisão para os pênaltis.

A disputa de pênaltis e a eliminação

Na cobrança de penalidades, o Boca Juniors levou a melhor. Os dois times alternaram acertos e erros: Paulinho, Pato e Guerrero converteram suas cobranças, mas um erro do meia Douglas (chute para fora) deu a vantagem aos argentinos. Com 7 a 6 no placar, o Boca avançou às quartas de final e o Corinthians deu adeus ao sonho do bicampeonato da Libertadores, conquistada no ano anterior. A eliminação dolorosa amplificou ainda mais o sentimento de revolta contra a arbitragem e a entidade máxima do futebol sul-americano.

Repercussão imediata

Assim que a faixa apareceu, fotos e vídeos começaram a circular nas redes sociais. A imagem viralizou rapidamente no Brasil e no exterior. Veículos internacionais como The Guardian, ESPN e CNN Brasil repercutiram o protesto. A hashtag #FederaçãoInternacionalDeAssassinos foi um dos trending topics no Twitter (atual X). Muitos torcedores de outros clubes apoiaram a mensagem, enquanto alguns comentaristas criticaram o tom agressivo. O técnico Tite, em entrevista coletiva, evitou comentar diretamente a faixa, mas disse entender a insatisfação da torcida com os acontecimentos recentes.

Legado e consequências

O episódio entrou para a história do futebol brasileiro como um dos protestos mais criativos e contundentes. Anos depois, a CONMEBOL passou por uma profunda reformulação em sua cúpula, após os escândalos de corrupção revelados pela operação "Fifa Gate". A faixa de 2013 é frequentemente lembrada como um reflexo da insatisfação que já existia com a gestão da entidade. O momento também reforçou a rivalidade entre Brasil e Argentina no futebol e serviu de exemplo para outras torcidas que, em situações semelhantes, recorreram a faixas de protesto em vez de atos violentos.

  • O protesto ocorreu no jogo de volta das oitavas de final da Libertadores 2013, entre Corinthians e Boca Juniors, no estádio do Pacaembu.
  • A faixa "Federação Internacional de Assassinos" foi uma resposta à arbitragem polêmica do jogo de ida e à falta de punição da CONMEBOL.
  • O primeiro jogo terminou 1 a 0 para o Boca, com reclamações de pênalti não marcado e lances violentos não punidos.
  • O segundo jogo foi 0 a 0 no tempo normal e o Boca venceu nos pênaltis por 7 a 6.
  • A torcida organizada Gaviões da Fiel foi a responsável pela confecção e exibição da faixa.
  • A imagem da faixa ganhou repercussão internacional, sendo publicada por The Guardian, ESPN e outros grandes veículos.
  • O Corinthians não foi punido pela CONMEBOL por causa do protesto.
  • O episódio é lembrado como símbolo de resistência pacífica e crítica à gestão do futebol sul-americano.

Perguntas frequentes

O que significava a faixa "Federação Internacional de Assassinos"?

Era uma crítica direta à CONMEBOL, que os torcedores acusavam de não coibir a violência dentro de campo e de favorecer clubes argentinos na Libertadores. A palavra "assassinos" fazia referência à omissão da entidade diante de lances que poderiam ter lesionado gravemente os jogadores.

Quando exatamente o Corinthians exibiu essa faixa?

Foi em 15 de maio de 2013, no jogo de volta das oitavas de final da Libertadores contra o Boca Juniors, no Pacaembu, em São Paulo.

O Corinthians foi punido pela CONMEBOL por causa da faixa?

Não. Não há registros de que a CONMEBOL tenha aberto processo ou aplicado qualquer punição ao clube ou à torcida. A entidade preferiu não se manifestar oficialmente sobre o ocorrido.

Como os jogadores e o técnico reagiram ao protesto?

O técnico Tite disse compreender a insatisfação da torcida, mas evitou comentar a faixa diretamente. Jogadores como Paulinho e Guerrero, que haviam reclamado da arbitragem no jogo de ida, mostraram solidariedade ao ato, mas preferiram focar na partida.

Qual foi a repercussão internacional?

Veículos como The Guardian (Reino Unido), ESPN (EUA) e diversos portais latino-americanos divulgaram a imagem da faixa. A mensagem gerou debates sobre a violência no futebol e o papel das federações em proteger os atletas.

Esse tipo de protesto é comum no futebol brasileiro?

Protestos com faixas são relativamente comuns, mas a faixa "Federação Internacional de Assassinos" se destacou pelo tom irônico e pela repercussão internacional, tornando-se um dos protestos mais lembrados da história do futebol brasileiro.

O que mudou na CONMEBOL depois desse episódio?

Nos anos seguintes, a CONMEBOL foi alvo de investigações de corrupção que resultaram na prisão de dirigentes. A entidade passou por reformas administrativas, mas não é possível atribuir diretamente essas mudanças ao protesto corintiano. No entanto, episódios como esse ajudaram a evidenciar o descontentamento com a gestão do futebol na América do Sul.

Houve outros protestos semelhantes depois de 2013?

Sim. Outras torcidas brasileiras e argentinas já usaram faixas e cartazes com mensagens ácidas contra federações. O protesto do Corinthians, porém, continua sendo o mais icônico e citado quando o assunto é liberdade de expressão nas arquibancadas.

Em suma, a faixa exibida pela torcida do Corinthians em 2013 sintetizou uma insatisfação que transcendia o resultado esportivo. Mais do que uma reação a um jogo específico, o ato representou um grito contra a falta de transparência e justiça no futebol sul-americano. Quer continuar acompanhando a história e as polêmicas do esporte? Visite a categoria Esportes do Astratu.