A pandemia de COVID-19, causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), é conhecida principalmente por seus sintomas respiratórios, como tosse seca, febre e cansaço. No entanto, um número crescente de pacientes ao redor do mundo tem relatado o surgimento de marcas na pele, chamando a atenção de dermatologistas e infectologistas. Essas manifestações cutâneas podem ser um importante sinal de alerta, aparecendo antes, durante ou mesmo após a fase aguda da infecção. Saber identificá-las pode ajudar no diagnóstico precoce e no monitoramento da doença.

Estudos clínicos indicam que entre 5% e 20% dos pacientes infectados podem apresentar algum tipo de lesão de pele. As erupções variam muito em aspecto, localização e gravidade, indo desde pequenas manchas até lesões mais extensas. A seguir, explicamos os principais tipos de marcas na pele associadas ao coronavírus e o que fazer ao identificá-las.

Por que o coronavírus afeta a pele?

O SARS-CoV-2 invade as células humanas utilizando a enzima conversora de angiotensina 2 (ACE-2), que está presente em diversos tecidos do corpo, incluindo a pele e os vasos sanguíneos. Após a infecção, o sistema imunológico do paciente reage de forma intensa, liberando substâncias inflamatórias que podem afetar os vasos da pele (vasculite) e levar à formação de pequenos coágulos (microtrombos). Essa combinação de inflamação e alterações na coagulação é a principal responsável pelo surgimento das diferentes erupções cutâneas observadas durante a pandemia.

Quais são os sinais mais comuns na pele?

Os padrões de lesões cutâneas mais frequentemente relatados em pacientes com COVID-19 incluem:

  • Urticária: Caracteriza-se por placas vermelhas e elevadas, que coçam intensamente e lembram uma reação alérgica. Geralmente surge no tronco ou nos membros e tem duração relativamente curta, de algumas horas a poucos dias.
  • Erupções maculopapulares: É o tipo mais comum. Manifesta-se como manchas vermelhas (máculas) e pequenas elevações (pápulas) espalhadas pelo corpo, com aspecto semelhante ao sarampo ou à rubéola. Costuma estar associada a quadros leves da doença.
  • Lesões acrais (dedos da COVID): Aparecem como manchas avermelhadas ou arroxeadas nos dedos dos pés e, ocasionalmente, das mãos, acompanhadas de inchaço e bolhas. Lembram frieiras (pérnio) e são mais comuns em crianças e adultos jovens, muitas vezes com sintomas leves ou até assintomáticos.
  • Livedo reticular: Apresenta-se como manchas arroxeadas em formato de renda ou rede na pele, geralmente nas pernas. Esse padrão indica má circulação sanguínea e pode ser um sinal de gravidade, estando relacionado à formação de trombos nos vasos.
  • Petéquias e púrpura: São pequenos pontos de sangramento sob a pele, que não desaparecem quando pressionados. Podem surgir em casos mais graves, associados a alterações na coagulação do sangue, e exigem avaliação médica urgente.

As marcas na pele são perigosas?

Na maioria dos casos, as manifestações cutâneas da COVID-19 são benignas e autolimitadas, desaparecendo espontaneamente em uma ou duas semanas, sem deixar cicatrizes. No entanto, a presença de certos tipos de lesões, como o livedo reticular generalizado, a púrpura ou lesões isquêmicas extensas, pode estar associada a um risco maior de complicações vasculares e trombóticas, sendo fundamental procurar atendimento médico para uma avaliação completa do quadro.

Quando procurar um médico?

É essencial buscar orientação profissional se o surgimento de marcas na pele vier acompanhado de febre, tosse persistente, cansaço extremo ou dificuldade para respirar. Mesmo na ausência de sintomas respiratórios, erupções cutâneas repentinas que são dolorosas, extensas, formam bolhas ou não melhoram em poucos dias devem ser investigadas por um dermatologista ou clínico geral para confirmar o diagnóstico e descartar outras doenças de pele.

Tratamento e cuidados

O tratamento das lesões cutâneas causadas pelo coronavírus é geralmente focado no alívio dos sintomas. Anti-histamínicos orais podem ser prescritos para controlar a coceira, enquanto corticoides tópicos ajudam a reduzir a inflamação local. Hidratantes corporais neutros são recomendados para restaurar a barreira de proteção da pele e proporcionar conforto. O mais importante é tratar a infecção viral como um todo, seguindo as recomendações médicas de repouso, hidratação e isolamento domiciliar. As marcas na pele tendem a regredir naturalmente à medida que o organismo combate o vírus.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. As marcas na pele coçam?

Depende do tipo. A urticária costuma provocar bastante coceira, enquanto as lesões acrais (dedos da COVID) podem ser mais dolorosas. O livedo reticular geralmente não causa sintomas, mas requer atenção.

2. Todo mundo que pega COVID-19 tem marcas na pele?

Não. Estudos estimam que entre 5% e 20% dos pacientes infectados podem apresentar algum tipo de manifestação cutânea durante a evolução da doença. A maioria das pessoas não desenvolve essas lesões.

3. As marcas na pele são contagiosas?

Não. As lesões são uma consequência da infecção viral e da resposta inflamatória do organismo. O contato direto com a pele de uma pessoa com essas marcas não transmite o coronavírus.

4. Quanto tempo duram as marcas?

A maioria das erupções cutâneas desaparece em um período de uma a duas semanas. Alguns tipos, como as lesões acrais, podem persistir por mais tempo, mas geralmente regridem sem deixar sequelas.

5. É possível ter apenas as marcas na pele, sem outros sintomas?

Sim. Em alguns casos, as manifestações cutâneas podem ser o único sinal da infecção, especialmente em pacientes que desenvolvem formas leves ou assintomáticas da COVID-19.