O autor de obras como "A Senhorita Simpson" e "O Monstro", um dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea, faleceu no Rio de Janeiro aos 78 anos com suspeita de Covid-19, em 10 de maio de 2020. A notícia causou comoção no meio literário e entre leitores de todo o país.

Trajetória literária

Nascido em 1941 no bairro do Catete, Rio de Janeiro, Sérgio Sant'Anna formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas nunca exerceu a advocacia. Desde cedo, dedicou-se ao jornalismo e à escrita criativa. Trabalhou em redações de importantes veículos, onde desenvolveu um olhar aguçado para os detalhes do cotidiano urbano, que depois transbordaria em sua ficção.

Sua estreia literária ocorreu em 1969 com o livro de contos O Sobrevivente, que já revelava uma maturidade incomum. Nos anos seguintes, publicou obras que desafiavam classificações de gênero, mesclando ficção, reportagem e ensaio. Em 1973, Notas de Manfredo Rangel, Repórter (a respeito de Kramer) marcou a consagração crítica: a obra utiliza um narrador jornalista para criar uma metalinguagem sofisticada, antecipando tendências da pós‑modernidade.

A década de 1980 trouxe sua obra‑prima, O Concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro (1982), uma longa novela onde a música de João Gilberto serve de pano de fundo para uma narrativa envolvente sobre amor e perda. Em 1989, publicou A Senhorita Simpson, romance ambientado em Nova York, que explora a solidão e as relações fugazes.

Principais obras e características

Entre seus títulos mais celebrados estão ainda O Monstro (1994), uma coletânea de contos que penetra nas zonas mais sombrias da mente humana. Já no século XXI, lançou O Homem‑Mulher (2001), que brinca com as fronteiras de gênero, e O Sobrevivente (2008), uma autobiografia romanceada que revisita sua própria trajetória literária. Merecem destaque também O Voo da Madrugada (contos, 2003), Páginas Negativas (poesia, 2009) e a antologia Contos Escolhidos (2011).

Obras selecionadas

  • O Sobrevivente (1969) – contos
  • Notas de Manfredo Rangel, Repórter (a respeito de Kramer) (1973) – contos
  • O Concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro (1982) – novela
  • A Senhorita Simpson (1989) – romance
  • O Monstro (1994) – contos
  • O Homem‑Mulher (2001) – romance
  • O Voo da Madrugada (2003) – contos
  • O Sobrevivente (2008) – romance

A prosa de Sant'Anna é reconhecida pela precisão vocabular, pela capacidade de fundir gêneros e pela perspicácia psicológica. Ele frequentemente utilizava o narrador em primeira pessoa, transformando a subjetividade em matéria de investigação literária. Era um mestre na construção de personagens à deriva, revelando a fragilidade das relações humanas nas grandes cidades.

Reconhecimento e prêmios

Sérgio Sant'Anna foi agraciado com alguns dos mais prestigiosos prêmios literários brasileiros. Recebeu o Prêmio Jabuti três vezes: por O Concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro (1983), A Senhorita Simpson (1990) e O Monstro (1995). Também conquistou o Prêmio Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional, pelo conjunto da obra, além do Prêmio Portugal Telecom de Literatura e do Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas e são estudadas em universidades no Brasil e no exterior.

Circunstâncias da morte

No dia 10 de maio de 2020, o escritor passou mal em sua casa no Rio de Janeiro, apresentando sintomas respiratórios agravados. Foi socorrido, mas não resistiu. Diante da suspeita de infecção pelo novo coronavírus, exames foram solicitados para confirmação, cujo resultado não foi divulgado. A morte ocorreu em um período crítico da pandemia no Brasil, quando o estado do Rio enfrentava alta demanda hospitalar e grande número de óbitos pela doença.

A notícia foi amplamente compartilhada nas redes sociais, com manifestações de pesar de figuras como o cantor e compositor Chico Buarque, o jornalista Luis Nassif e inúmeros escritores e acadêmicos, que ressaltaram o vazio deixado por Sant'Anna na literatura brasileira.

Legado

A perda de Sérgio Sant'Anna representa um empobrecimento para a literatura em língua portuguesa. Sua obra permanece viva através de sucessivas reedições e da leitura atenta de críticos e leitores. Ele é frequentemente apontado como um dos mais importantes contistas brasileiros contemporâneos, ao lado de Rubem Fonseca e João Antônio. Sua capacidade de reinventar a forma literária, de mesclar realidade e ficção e de mergulhar nos dilemas do homem moderno assegura‑lhe um lugar definitivo na história das letras do país.

Para as novas gerações, Sant'Anna deixou um legado de experimentação e ousadia criativa. Seus livros continuam a ser publicados e discutidos, e sua influência é perceptível na obra de muitos escritores brasileiros que vieram depois dele.

Perguntas frequentes sobre Sérgio Sant'Anna

Qual foi a causa da morte de Sérgio Sant'Anna?

A suspeita oficial no momento do falecimento era de infecção por Covid-19. A confirmação dependia de exames complementares, cujo resultado não foi amplamente divulgado.

Quantos anos ele tinha?

78 anos. Ele nasceu em 1941 no Rio de Janeiro.

Quais são suas principais obras?

Entre suas obras mais célebres estão Notas de Manfredo Rangel, Repórter (a respeito de Kramer) (1973), O Concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro (1982), A Senhorita Simpson (1989) e O Monstro (1994). Também são importantes O Homem‑Mulher (2001) e O Sobrevivente (2008).

Quantos livros publicou?

Publicou mais de 15 títulos, incluindo contos, romances, novelas e poesia.

Que prêmios recebeu?

Recebeu três Prêmios Jabuti (1983, 1990, 1995), o Prêmio Machado de Assis e o Prêmio Portugal Telecom de Literatura, entre outros.

Como foi sua relação com o jornalismo?

Sant'Anna trabalhou como jornalista em redações de jornais e revistas, experiência que influenciou fortemente seu estilo literário, especialmente em obras como Notas de Manfredo Rangel.