Adepto do experamentalismo estético, o escritor angariou gerações de leitores fiéis por seu sagaz olhar que ia muito além do formalismo, com histórias que rompiam a barreira de gêneros e desvelavam a natureza de seus personagens demasiado humanos.

Mas a obra de Sant’Anna foi além do conto, com romances adaptados para o cinema, uma premiada novela e até um cultuado texto como dramaturgo.

Com o subtítulo de “Uma autobiografia imaginária”, o primeiro romance do escritor já apontava seu apreço pelo desbravamento formal, com uma prosa propositalmente confusa que cria histórias inverossímeis sobre o narrador.

Uma de suas coletâneas de contos mais celebradas, o livro - vencedor do prêmio Jabuti - apresenta a escrita de Sant’Anna em seu esplendor, como no conto-título, que mescla música, literatura e teatro ao recriar toda a mística de ruído e silencio que havia em torno da figura do pioneiro da bossa nova.

Através da protagonista Dionísia, uma comum mulher carioca que vira modelo de revista pornográfica e conhecida personalidade política na década de 1980, a novela narra a sujeira e as angústias de todo um país que ainda engatinha em seu processo de redemocratização.

Adaptado por Beto Brant para o cinema em 2005, o romance narrado por um crítico de arte de meia-idade que se envolve com uma jovem misteriosa e coxa.

Além do textoque da título, ao livro destacam-se contos como “Lencinhos” e “Eles dois”, arrebatadora história de amor e nostalgia sobre um casal que divide uma casa na periferia de Belo Horizonte durante os anos 1970.

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Originalmente Publicado: 10 de Maio de 2020 às 16:31

Fonte: Globo