BRENDAN SMIALOWSKI/AFP Contrariando a recomendação oficial dos órgãos de saúde de seu próprio governo, o presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que está tomando hidroxicloroquina - segundo ele, em caráter preventivo - contra o novo coronavírus.

“Porque ouvi muitas histórias positivas.(…) O remédio está aí há 40 anos, contra a malária, o lúpus. Eu tomo, muitos médicos tomam. Espero não precisar tomar, espero que encontrem alguma resposta, mas acho que as pessoas devem ser autorizadas.”

Um mês depois, no entanto, diante de estudos apontando um elo entre os medicamentos e a incidência de arritmia cardíaca em pacientes, a agência advertiu contra o uso deles fora de hospitais ou de testes clínicos - o que, na prática, o caso de Trump.

Sua conclusão de que “Apesar da amostragem pequena, nossa pesquisa mostra que o tratamento com a hidroxicloroquina está significativamente associado com a redução ou desaparição da carga viral da covid-19 e seu efeito reforçado pela azitromicina”.

Mais tarde, porém, a Sociedade Internacional de Quimioterapia Antimicrobial, responsável pela revista médica que publicou o estudo francês, afirmou em comunicado que o estudo “não cumpria com os padrões esperados da Sociedade, especialmente em relação falta de melhores explicações dos critérios de inclusão e da triagem de pacientes, para garantir a segurança destes”.

Nos EUA, “a imprensa continua a detonar a cloroquina, mesmo com os médicos dizendo que ela eficiente”, dizia a Fox News em 3 de abril, acusando jornais de rejeitar o medicamento por achar que seu uso, se bem-sucedido, beneficiaria Trump politicamente.

Em abril, Trump exaltou o exemplo da legisladora estadual democrata de Michigan Karen Whitsett, que afirmou que a recomendação de Trump pelo uso da cloroquina foi crucial em seu próprio tratamento da covid-19.

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Originalmente Publicado: 18 de Maio de 2020 às 19:23

Fonte: Bbc.com