O movimento ocorreu em meio às avaliações - ainda que iniciais - de que não há informações novas relevantes de forma a elevar ainda mais risco ao ambiente político e de colocar a perder o apoio que o presidente Bolsonaro ainda mantém de seu eleitorado.

O dólar futuro, que inicialmente ampliou a alta com a decisão de Mello, também mudou de rumo e passou a cair, fechando em baixa de 0,29%, a R$ 5,540.

“O mercado ficou mais de duas semanas apreensivo com o que poderia ter no conteúdo desse vídeo. Esse risco saiu da frente e o mercado ajusta”, apontou David Cohen, da Paineiras Investimentos, Bloomberg.

Na mesma linha, Bruce Barbosa, analista da Nord Research, ressalta: “Houve zero surpresas, o que tinha de ruim no vídeo já tinha vazado na imprensa antes. O Bolsonaro fala o que fala normalmente”.

Para Barbosa, as preocupações do mercado com as incertezas políticas se reduzem consideravelmente com a falta de novidades no vídeo, que se conjuga ao consenso atingido entre presidente e governadores em torno do veto ao reajuste dos salários de servidores públicos.

No dia 14 de maio, a Advocacia-Geral da União já havia enviado um parecer ao Supremo em que se manifestou a favor da retirada do sigilo da reunião ministerial, mas que apenas os trechos em que o presidente Jair Bolsonaro fala fossem divulgados.

Nesse documento, a AGU ainda apresentou transcrições de alguns trechos em que o presidente falava sobre uma possível intervenção na PF. “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar f. minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança da ponta de linha que pertence estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira”, disse ele.

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Originalmente Publicado: 22 de Maio de 2020 às 19:28

Fonte: InfoMoney