Em pronunciamento no mesmo dia em que Moro deixou o governo, Bolsonaro afirmou que as declarações do ex-ministro são infundadas e que não tentou interferir na PF. Em 12 de maio, o presidente disse também que o vídeo da reunião de 22 de abril deveria ter sido destruído e que sua preocupação era com a segurança da família - e não com investigações.

24 de abril: Jair Bolsonaro faz pronunciamento cercado pela maioria de seus ministros e diz que Moro propôs aceitar demissão de diretor da PF se fosse indicado ministro do STF. O presidente nega interferência mas diz que pedia a Moro, e nunca obteve, um relatório diário das atividades da PF para poder tomar decisões de governo.

13 de maio: Governo confirma Carlos Henrique de Sousa, ex-superintendente da PF do RJ, como novo número 2 da PF.14 de maio: Divulgada a íntegra da troca de mensagens entre Moro e Zambelli; deputada diz a Moro que Bolsonaro “Vai cair se o sr. sair”.14 de maio: AGU pede ao STF que libere somente as falas do presidente Jair Bolsonaro; a defesa de Moro alega que a petição omite trechos relevantes para a compreensão correta da fala do presidente, e reforça pedido para publicar vídeo na íntegra.

Ao se demitir, Moro disse que, além de querer trocar a direção-geral da PF, que Bolsonaro fez pressão para tirar o delegado Ricardo Saadi da superintendência da PF do Rio de Janeiro e demonstrou preocupação sobre inquéritos em curso no STF. Saadi deixou o posto após críticas de Bolsonaro atuação dele, contestadas em nota oficial pela PF. Além disso, o ministro apresentou imagens de troca de conversas de celular com o presidente.

Segundo Moro, nas mensagens a parlamentar afirma que, se ele aceitasse a substituição na direção-geral da PF, poderia, após alguns meses, ser indicado como ministro do STF. Em depoimento de mais de oito horas PF no dia 2 de maio, Moro reafirmou que Bolsonaro queria interferir politicamente na PF. De acordo com o ex-ministro, o presidente pediu em fevereiro, por mensagem de celular, para indicar um novo superintendente para a PF no Rio de Janeiro.

Moro disse ainda que, em reunião do conselho de ministros em 22 de abril, o presidente também cobrou a substituição tanto do superintendente da PF do Rio de Janeiro, além relatórios de inteligência e informação da PF. Segundo Moro, Bolsonaro disse que, se não pudesse fazer a troca no RJ, poderia então trocar o diretor-geral e o próprio ministro da Justiça.

O ministro Walter Braga Netto referendou as declarações de Bolsonaro e afirmou que, na reunião de 22 de abril, o presidente não falou em trocar superintendente da PF no RJ.O ministro Augusto Heleno disse que “Natural” presidente querer pessoa “Próxima” na direção da PF.O ministro Luiz Eduardo Ramos declarou que propôs a Moro “Solução intermediária” para PF antes de o ministro pedir demissão.

Este artigo foi resumido em 87%

Originalmente Publicado: 23 de Maio de 2020 às 06:00

Fonte: Globo