Falando em tom irritado, em um primeiro momento Bolsonaro reclama que a PF não lhe fornecia informações de inteligência adequadas e que ele estava desinformado em assuntos do seu interesse.

Em um segundo momento da reunião, o presidente reclamou: “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final!".

Entretanto, seis fatos recentes demonstram que Bolsonaro estava insatisfeito e tinha intenção de trocar o superintendente da PF no Rio.

A efetiva demissão do diretor-geral da PF. No dia seguinte reunião em que dizia que iria “Interferir”, Bolsonaro chamou Moro ao Palácio do Planalto e lhe disse que havia decidido demitir o diretor-geral da PF Maurício Valeixo para indicar uma pessoa de sua confiança ao cargo.

O então ministro respondeu que seria uma interferência política indevida na PF e que não havia justificativa técnica para demitir Valeixo.

Após a demissão de Valeixo, publicada no dia 24 de abril no Diário Oficial, Moro anunciou seu pedido de demissão e afirmou que Bolsonaro queria na Polícia Federal alguém que lhe desse informações e freasse investigações em andamento.

No mesmo dia em que Bolsonaro avisou a Moro sobre sua intenção de demitir Valeixo, o presidente enviou uma mensagem ao então ministro da Justiça contendo a referência a uma notícia publicada na coluna de Merval Pereira que apontava a investigação contra deputados bolsonaristas no inquérito das fake news.

Este artigo foi resumido em 78%

Originalmente Publicado: 22 de Maio de 2020 às 23:26

Fonte: Globo