O ex-presidente do PSDB no Rio de Janeiro, Paulo Marinho, chegou na manhã desta terça-feira (26 de maio de 2020) à sede da Polícia Federal, no centro do Rio, para prestar um novo depoimento no âmbito das investigações sobre um suposto esquema de rachadinhas no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Esta é a segunda vez que Marinho é chamado para depor. A primeira ocorreu em outubro de 2019, quando ele optou por permanecer em silêncio na maior parte do interrogatório, exercendo o direito constitucional de não produzir provas contra si mesmo. Desta vez, a defesa indicou que ele responderia apenas a perguntas que não pudessem incriminá-lo, dentro do escopo permitido pela Justiça.

A investigação da "rachadinha" é um dos casos mais emblemáticos que envolvem a família Bolsonaro. Ela apura o desvio de salários de funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Os funcionários eram supostamente obrigados a devolver parte dos salários, que era então repassada a outras pessoas, como Fabrício Queiroz — apontado como operador do esquema — e, segundo a acusação, ao próprio Paulo Marinho.

Contexto das investigações

Paulo Marinho é uma figura central na política fluminense e um aliado histórico de Jair Bolsonaro. Foi ele quem cedeu o espaço no PSDB para a candidatura de Bolsonaro ao Planalto em 2018. A suspeita dos investigadores é de que ele tenha recebido cerca de R$ 100 mil em depósitos fracionados, supostamente oriundos do esquema das rachadinhas. A defesa de Marinho afirma que o dinheiro recebido era referente a empréstimos pessoais e serviços de consultoria jurídica, e que todas as movimentações foram lícitas e declaradas.

O caso ganhou novos contornos com a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, ocorrida em junho de 2020 em Atibaia (SP). Queiroz é apontado como o operador do esquema. A movimentação financeira de Queiroz, que incluiu um depósito de R$ 24 mil na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro, chamou a atenção das autoridades e aprofundou as investigações, levando a novas linhas de apuração sobre o destino do dinheiro desviado.

Importância do depoimento

O depoimento desta terça-feira é considerado crucial para o avanço do inquérito, que corre em segredo de Justiça. A Polícia Federal busca esclarecer o destino dos valores desviados e o grau de envolvimento de cada um dos investigados. A conclusão do inquérito é aguardada com grande expectativa, pois pode resultar em denúncias formais contra Flávio Bolsonaro e outros aliados.

Segundo o G1, a movimentação na PF foi intensa, com jornalistas aguardando a chegada de Marinho. Ele chegou por volta das 9h, acompanhado de seus advogados, e deixou o local no início da tarde. A defesa de Paulo Marinho protocolou um pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar trancar o inquérito, alegando que as investigações são baseadas em provas ilícitas, obtidas sem autorização judicial. O STF ainda não julgou o mérito do pedido.

Enquanto isso, a Polícia Federal segue coletando depoimentos e analisando documentos para concluir o relatório final do inquérito, que deve ser enviado ao Ministério Público Federal (MPF) para oferecimento de denúncia. O caso segue sob sigilo, mas detalhes são frequentemente revelados pela imprensa, mantendo o tema sob os holofotes da opinião pública.

Perguntas frequentes sobre o caso

O que é o esquema das rachadinhas?

É a prática de desviar parte dos salários de funcionários de gabinete, que eram supostamente obrigados a devolver os valores recebidos para custear despesas pessoais e políticas dos parlamentares.

Quem são os principais investigados?

O senador Flávio Bolsonaro, o ex-assessor Fabrício Queiroz, o ex-presidente do PSDB-RJ Paulo Marinho e outras pessoas próximas ao gabinete de Flávio na Alerj.

Qual a pena para o crime de rachadinha?

Dependendo da tipificação, pode configurar peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas que podem ultrapassar 10 anos de prisão.

Por que o depoimento de Paulo Marinho é importante?

Porque ele pode fornecer informações sobre o funcionamento do esquema e o destino do dinheiro, sendo considerado uma peça-chave para o desfecho da investigação.