A Federação Catarinense de Futebol (FCF) confirmou que o Campeonato Catarinense será retomado no dia 8 de julho de 2020, após mais de três meses de paralisação devido à pandemia de COVID-19. A decisão foi tomada em reunião com os clubes, que definiram os protocolos de segurança e o calendário para a conclusão da competição. A volta do futebol em Santa Catarina representa um passo importante para o esporte no estado e no país.

Contexto da paralisação

O Campeonato Catarinense de 2020 foi interrompido em meados de março, seguindo as recomendações das autoridades sanitárias e a tendência nacional de suspensão dos eventos esportivos. Na época, a competição estava em sua fase inicial, e clubes como Avaí, Chapecoense, Figueirense e Brusque aguardavam uma definição. Nas semanas seguintes, a FCF manteve diálogo constante com o governo do estado e as prefeituras para alinhar as condições de retorno.

Antes da paralisação, o campeonato já havia mostrado um bom nível técnico, com a Chapecoense e o Avaí se destacando como favoritos ao título. No entanto, a interrupção repentina trouxe desafios financeiros e logísticos para todos os clubes, que precisaram negociar reduções salariais com os jogadores e manter a estrutura de treinamento dentro das normas de distanciamento social. O medo do contágio e a incerteza sobre o futuro da temporada geraram debates entre dirigentes, atletas e profissionais de saúde.

Durante o período de paralisação, a FCF organizou reuniões virtuais com os representantes dos clubes para discutir possíveis cenários. Alguns times defenderam o encerramento antecipado do campeonato, enquanto outros pressionavam pela retomada para evitar perdas financeiras ainda maiores. A federação também precisou negociar com a imprensa e os patrocinadores, garantindo que os contratos fossem mantidos mesmo com a competição suspensa.

Protocolo de segurança

Para que o retorno fosse autorizado, a FCF elaborou um protocolo de segurança rigoroso, que inclui a testagem em massa de atletas, comissões técnicas e arbitragem. O documento, chamado de 'Protocolo de Biossegurança', foi aprovado pelas autoridades de saúde do estado e prevê que todos os envolvidos nas partidas sejam testados para a COVID-19 até 48 horas antes de cada jogo. Caso um jogador testasse positivo, ele seria imediatamente isolado, e todo o elenco passaria por novos testes.

Todos os jogos serão realizados com portões fechados, sem a presença de torcedores, seguindo os decretos estaduais que restringiam aglomerações. Além disso, a FCF estabeleceu que as delegações devem viajar em veículos exclusivos e hospedar-se em hotéis com áreas reservadas, minimizando o risco de contágio entre os grupos. Os estádios passarão por higienização antes e depois de cada partida, e o acesso de profissionais de imprensa será limitado.

O protocolo também prevê a criação de uma comissão médica da FCF para monitorar a saúde dos atletas e orientar os clubes sobre os procedimentos adequados. Cada clube deverá designar um responsável pela execução das medidas, e qualquer descumprimento pode resultar em punições esportivas. A federação afirmou que seguirá rigorosamente as orientações da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde do Brasil.

Clubes e tabela

A competição conta com dez clubes na primeira divisão: Avaí, Chapecoense, Figueirense, Brusque, Joinville, Marcílio Dias, Tubarão, Hercílio Luz, Juventus e Metropolitano. O formato original da competição incluía duas fases, e a tabela precisou ser ajustada para que o campeonato seja concluído dentro do novo calendário. As partidas deverão ocorrer com intervalos reduzidos, e cada clube terá que se adaptar à maratona de jogos nos meses de julho e agosto.

Alguns clubes, como o Figueirense e o Joinville, enfrentavam dificuldades financeiras antes mesmo da pandemia, e a paralisação agravou ainda mais a situação. O returno do campeonato será crucial para equilibrar as contas e definir os classificados para as competições nacionais de 2021. O Avaí, que havia começado bem a temporada, esperava manter o bom desempenho. Já a Chapecoense, que passava por reformulação após o rebaixamento no Brasileirão, buscava a recuperação no estadual como forma de ganhar confiança para a Série B.

A tabela revisada prevê jogos durante a semana e aos finais de semana, com algumas partidas sendo realizadas em horários alternativos para evitar o calor do meio-dia. A FCF também estudou a possibilidade de utilizar estádios com maior capacidade de ventilação natural, priorizando arenas ao ar livre. Os clubes com estádios menores tiveram que se adaptar às exigências dos protocolos, como a instalação de pontos de higienização e a reorganização dos vestiários.

Preparação dos clubes

Com a confirmação da data, os clubes intensificaram os treinamentos. As equipes realizaram testes sorológicos em todos os jogadores e funcionários antes do retorno aos gramados. A maioria dos times montou cronogramas de treinos em grupos reduzidos, seguindo as regras de distanciamento. A parte física foi uma preocupação central, já que os atletas passaram semanas sem atividades coletivas. Os preparadores físicos tiveram que planejar uma pré-temporada relâmpago de cerca de três semanas para readquirir o ritmo de jogo.

Alguns clubes enfrentaram dificuldades para manter a forma dos atletas durante a quarentena. Jogadores que não possuíam estrutura adequada em casa tiveram que realizar treinos funcionais ao ar livre, com acompanhamento remoto. A alimentação e o sono também foram monitorados para evitar perda de rendimento. A volta aos campos exigiu cuidados especiais com lesões musculares, comuns após longos períodos de inatividade.

Impacto no cenário nacional

O retorno do Catarinense é mais um passo importante para a retomada do futebol no Brasil. Outros estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais também planejavam o retorno de seus campeonatos para os meses seguintes. O sucesso da retomada em Santa Catarina poderá servir de modelo para as demais federações, que observam atentamente as medidas adotadas pela FCF. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também acompanha de perto o desenrolar dos estaduais, pois o calendário do Brasileirão depende da conclusão das competições regionais.

Além disso, a retomada do futebol em Santa Catarina pode influenciar a volta de torneios de outras modalidades, como o basquete e o futsal, que também estavam paralisados. A exposição na mídia e o retorno dos patrocínios são fatores que pesam na decisão das federações. No entanto, a segurança dos atletas continua sendo a prioridade.

Perguntas frequentes sobre o retorno do Catarinense

  • Quando o campeonato foi paralisado? Em meados de março de 2020, por conta da pandemia de COVID-19.
  • Quando volta? A competição será retomada no dia 8 de julho de 2020.
  • Quem confirmou a data? A Federação Catarinense de Futebol (FCF), em reunião com os clubes.
  • Haverá torcida nos estádios? Não. Todos os jogos serão realizados com portões fechados.
  • Quantos clubes participam? Dez clubes da primeira divisão do estado de Santa Catarina.
  • Como será o protocolo de segurança? Testagem prévia, portões fechados, delegações isoladas e higienização dos estádios.
  • O que acontece se um jogador testar positivo? Ele será isolado e todo o elenco passará por novos testes.