Com a taxa Selic atingindo o menor patamar histórico em 2020, caindo para 2% ao ano, investidores em todo o Brasil passaram a buscar alternativas mais rentáveis para seus investimentos. As ações pagadoras de dividendos emergiram como uma das opções mais atrativas, combinando potencial de valorização com geração de renda passiva.
Pensando nisso, preparamos uma lista com 9 ações que, na visão do mercado na época, apresentavam forte potencial de distribuir dividendos acima da rentabilidade da poupança e até mesmo dos títulos públicos atrelados à Selic em 2021. É claro que investir em ações envolve riscos, mas para quem busca uma fonte de renda recorrente, estas empresas se destacam.
O cenário da Selic em 2021
A taxa básica de juros, a Selic, é o principal instrumento de política monetária do Banco Central. Em 2020, por conta da pandemia e da necessidade de estimular a economia, a Selic foi reduzida ao mínimo histórico de 2% a.a. Para 2021, as projeções indicavam que a taxa permaneceria em patamares baixos, embora com possibilidade de leve alta no segundo semestre. Isso tornava qualquer investimento que pagasse acima de 2% ao ano uma alternativa interessante. Muitas ações de empresas sólidas pagavam dividend yields entre 4% e 8% ao ano, superando com folga a renda fixa tradicional.
Por que investir em ações de dividendos?
Investir em ações que pagam bons dividendos é uma estratégia clássica de longo prazo. Os dividendos representam a distribuição de parte do lucro de uma empresa aos seus acionistas. Empresas maduras, com geração de caixa consistente e baixa necessidade de reinvestimento, tendem a distribuir uma parcela maior dos lucros. Além disso, no Brasil, os dividendos são isentos de Imposto de Renda para pessoa física, o que torna a estratégia ainda mais vantajosa. No entanto, é essencial analisar a saúde financeira da empresa, e não apenas o seu dividend yield.
As 9 ações para ficar de olho em 2021
Listamos abaixo as ações que, com base no cenário de 2020 e perspectivas para 2021, eram fortes candidatas a pagar bons proventos.
1. Taesa (TAEE11)
A Taesa é uma das maiores transmissoras de energia elétrica do Brasil. Seu modelo de negócio é extremamente previsível, com contratos de concessão de longo prazo e receitas indexadas à inflação. Historicamente, a empresa distribui uma alta parcela de seus lucros na forma de dividendos e JCP.
2. Banco do Brasil (BBAS3)
Um dos maiores bancos do país, o Banco do Brasil possui uma forte presença no agronegócio e no varejo. Apesar das incertezas econômicas, o banco manteve uma política de distribuição de lucros bastante generosa.
3. Itaúsa (ITSA4)
A holding do grupo Itaú controla algumas das maiores empresas do Brasil, como o Itaú Unibanco, a Alpargatas e a Duratex. Sua diversificação e gestão profissional proporcionam uma distribuição consistente de dividendos.
4. Cemig (CMIG4)
A Cemig é uma concessionária de energia elétrica que atua em Minas Gerais. A empresa tem um histórico de pagar bons dividendos, embora possa haver volatilidade dependendo dos resultados e do ciclo de investimentos.
5. Copel (CPLE6)
Assim como a Cemig, a Copel (Companhia Paranaense de Energia) possui um negócio estável de distribuição e geração de energia. A empresa passava por um processo de reestruturação, mas mantinha uma política atrativa de dividendos.
6. Engie Brasil (EGIE3)
A Engie é líder em geração de energia renovável no Brasil, com usinas hidrelétricas, eólicas e solares. Sua receita é bastante previsível, e a empresa distribui uma parcela significativa do seu lucro.
7. Unipar (UNIP6)
A Unipar é uma das principais produtoras de cloro e soda cáustica da América Latina. A empresa se beneficiou da alta do dólar e da demanda aquecida, gerando caixa recorde e distribuindo dividendos elevados.
8. CTEEP (TRPL4)
Outra transmissora de energia, a CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista) possui um dos negócios mais estáveis do mercado. Com receitas garantidas por contrato, a empresa distribui proventos robustos e recorrentes.
9. Cyrela (CYRE3)
A Cyrela é uma das maiores incorporadoras do Brasil. A empresa adotou uma política bastante agressiva de distribuição de resultados, abatendo parte do lucro para dividendos.
Como escolher boas pagadoras de dividendos?
Para não cair em armadilhas, o investidor deve observar alguns indicadores fundamentais:
- Payout Ratio: A porcentagem do lucro que é distribuída. Payouts muito elevados (acima de 100%) podem ser insustentáveis.
- Geração de Caixa: O lucro contábil pode ser diferente do caixa real. É importante verificar se a empresa gera caixa operacional suficiente.
- Histórico de Pagamentos: Empresas com um longo histórico de distribuição consistente de dividendos tendem a ser mais confiáveis.
- Nível de Endividamento: Empresas muito endividadas podem ter que cortar dividendos em momentos de aperto.
FAQ: Perguntas Frequentes
O que é a Selic e como ela afeta os investimentos?
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela influencia todas as outras taxas do país, desde o rendimento da poupança até o custo do crédito. Quando a Selic está baixa, a renda fixa rende menos, e os investidores buscam alternativas como as ações de dividendos.
É melhor investir em ações de dividendos ou renda fixa?
Depende do perfil de risco do investidor. A renda fixa é mais segura e previsível. As ações de dividendos oferecem potencial de retorno maior, mas com maior risco (volatilidade). Para quem busca complementar a renda e tem horizonte de longo prazo, as ações de dividendos são uma excelente alternativa.
Preciso pagar Imposto de Renda sobre dividendos?
Não. No Brasil, os dividendos distribuídos por empresas são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas. Juros sobre Capital Próprio (JCP) sofrem tributação de 15% na fonte.
Qual o prazo ideal para investir pensando em dividendos?
O investimento em dividendos é tipicamente uma estratégia de longo prazo (acima de 5 anos). Isso permite ao investidor se beneficiar do compounding (juros compostos) ao reinvestir os proventos, além de suportar as oscilações naturais do mercado.
Fonte: Análise baseada em informações do mercado financeiro e projeções disponíveis em meados de 2020.