Segundo a economista Marcelle Chauvet, que um dos 8 membros do Codace, o comitê analisa diferentes séries mensais e trimestrais, agregadas e setoriais, de produção, renda, emprego, vendas, por exemplo, para avaliar a situação da economia.

As projeções para o segundo trimestre indicam que a queda deve se aprofundar para algo em torno de 10%. Segundo Chauvet, ela seria a pior dos últimos 50 anos, pelo menos - já que não se sabe como foi a retração durante a Grande Depressão de 1929.

O ritmo de recuperação um fator fundamental porque, ainda que o “Fundo do poço” tenha ficado para trás, a velocidade da retomada pode abreviar ou estender os efeitos negativos da recessão para a população em geral - a sensação de crise propriamente dita.

O Ibre-FGV espera uma recuperação “Muito gradual” no segundo semestre, que levaria o PIB de 2020 a uma queda de 6,4%. Nesse cenário, a taxa de desemprego se elevaria para uma média de 18,7% e a massa de rendimentos - grosso modo, o volume de recursos disponível para o consumo -, reduziria 9%. A MCM Consultores, que estima uma retração de 7% do PIB neste ano, destaca que o mercado de trabalho um dos fatores que devem desacelerar a recuperação, tanto pelo impacto direto quanto indireto, já que o medo de perder o emprego acaba fazendo com que parte dos que ainda estão empregados gastem menos.

Em relatório, a consultoria destaca que o consumo pode ganhar fôlego caso algumas mudanças recentes de hábitos da população, como uso maciço de máscaras, perdurem pelos próximos meses e consigam conter o avanço da doença, que ainda não está controlada.

O Bradesco, que tem uma estimativa mais “Otimista” para a queda do PIB em 2020, de 5,9%, ressaltou em relatório divulgado na última sexta que “o pior momento para a atividade doméstica parece ter ficado para trás”, diante dos indicadores antecedentes melhores de maio e junho e da reação dos índices de confiança.

A equipe do banco lista, entre as “dúvidas que podem limitar uma recuperação mais intensa”, o comportamento do número de casos após os primeiros testes de reabertura, a incerteza sobre a reação da economia depois de esgotados os estímulos emergenciais e o aumento da dívida pública e privada, que tende a diminuir a renda disponível de empresas, famílias e governos.

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Originalmente Publicado: 29 de Junho de 2020 às 19:11

Fonte: BBC News