Até domingo, mais de 160 empresas, entre elas alguns dos maiores anunciantes do mundo, haviam decidido suspender a publicidade no Facebook em resposta falta de compromisso da plataforma com o controle das informações tóxicas e do discurso de ódio.

O boicote ao Facebook aumentou exponencialmente num único fim de semana, ameaçando o valor da companhia na Bolsa e revelando uma ampla preocupação com o papel que as redes sociais exercerão na atual campanha eleitoral dos Estados Unidos para as eleições presidenciais de 3 de novembro.

A campanha pelo boicote ao Facebook começou em 17 de junho, mas deslanchou na última sexta-feira, quando a Unilever, um dos maiores anunciantes do mundo, decidiu retirar toda sua publicidade da plataforma.

A retirada fulminante de anunciantes motivou uma reação do fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, que durante anos se negou a aplicar controles para evitar o uso de sua plataforma para a intoxicação política e a propagação de conspiradores e discursos de ódio.

Em entrevista Reuters neste domingo, o diretor-executivo da Common Sense Media, Jim Steyer, afirmou que o passo seguinte tornar a campanha global e conseguir a adesão de grandes marcas europeias.

Mas, sobretudo, revela uma preocupação com a falta de evolução das redes sociais desde que a campanha de Trump as utilizou para desincentivar o voto e propagar desinformação em condados-chave dos EUA em 2016.Quase nada mudou desde aquela campanha, que surpreendeu o mundo político e provocou investigações no Congresso americano.

A ações do Twitter, embora esta rede social não seja alvo da campanha de boicote, caíram 7%.O último 18 de junho foi um divisor de águas na relação entre o Facebook e Trump: a plataforma retirou um anúncio de campanha do presidente por conter um símbolo que podia ser confundido com um utilizado pelos nazistas.

Este artigo foi resumido em 59%

Originalmente Publicado: 30 de Junho de 2020 às 00:41

Fonte: EL PAÍS