Jesualdo Ferreira voltou à berlinda no Santos Futebol Clube cinco meses após sua chegada. A eliminação no Campeonato Paulista de 2020 reacendeu as críticas ao trabalho do técnico português, que trocou uma situação de estabilidade no futebol argentino pela pressão característica do futebol brasileiro. O contraste entre a segurança que desfrutava e a turbulência atual no comando do Peixe tornou a situação emblemática para os analistas esportivos.
Jesualdo no Santos: os primeiros meses
O Santos anunciou Jesualdo Ferreira em fevereiro de 2020 como substituto de Jorge Sampaoli, que levara o clube ao vice-campeonato brasileiro em 2019. O português, então com 74 anos, chegava com currículo robusto: tricampeão português pelo Porto entre 2006 e 2009, com passagens por Braga, Sporting e clubes de outros países. A expectativa da diretoria era de que sua experiência europeia e sul-americana trouxesse consistência tática ao time.
Nos primeiros jogos, Jesualdo promoveu ajustes no elenco, tentando implementar um estilo de jogo mais equilibrado entre defesa e ataque. A equipe alternou boas atuações — como vitórias convincentes no Paulistão — com partidas abaixo do esperado, nas quais a criação ofensiva ficou aquém do necessário. A falta de regularidade acendeu o primeiro sinal de alerta ainda na fase de grupos do estadual.
Segurança na Argentina
Antes de aceitar o convite do Santos, Jesualdo Ferreira passou por uma experiência no futebol argentino onde encontrou condições de trabalho estáveis. No país vizinho, o treinador dispunha de autonomia para desenvolver seu método, respaldo da direção e reconhecimento da imprensa. O ambiente de menor cobrança direta contrastava fortemente com a realidade que enfrentaria no Brasil.
Ao optar pelo desafio no Santos, Jesualdo trocou essa segurança por um cenário de alta exposição midiática e exigência imediata por resultados. O futebol brasileiro é notório pela baixa paciência com treinadores — a média de permanência dos técnicos no país é uma das mais curtas do mundo. Jesualdo sabia do risco, mas acreditou que seu currículo e sua capacidade de adaptação seriam suficientes para prosperar.
Eliminação no Paulista
O Campeonato Paulista de 2020 foi interrompido em março devido à pandemia de COVID-19 e retomado em julho. O Santos chegou às quartas de final e enfrentou o Mirassol no dia 26 de julho. Em uma partida tensa, o Peixe foi eliminado nos pênaltis — resultado que escancarou as dificuldades da equipe sob o comando de Jesualdo.
A eliminação precoce gerou forte reação da torcida e da imprensa. Analistas apontaram falta de padrão tático, dificuldade de criar jogadas ofensivas e dependência excessiva de lampejos individuais como problemas que o técnico não conseguiu resolver em cinco meses de trabalho. As redes sociais foram tomadas por críticas e pedidos de mudança no comando.
Os números do técnico
Em números, a passagem de Jesualdo pelo Santos até a eliminação no Paulista mostrava um aproveitamento de aproximadamente 57% em 21 partidas, com 10 vitórias, 6 empates e 5 derrotas. Os dados por si só não indicavam uma catástrofe, mas o desempenho em campo gerava desconfiança. O time marcou 33 gols e sofreu 20, um saldo positivo que não se refletia em consistência.
A diretoria do Santos sinalizava apoio público a Jesualdo nos dias seguintes à eliminação. Nos bastidores, porém, a paciência tinha limite. O Campeonato Brasileiro, já em andamento, representava a grande oportunidade para o treinador português mostrar serviço e reconquistar a confiança. Jesualdo tentou ajustes táticos e mudanças na escalação, mas a regularidade desejada não veio.
Pressão e futuro
Para Jesualdo, cada partida tornava-se decisiva. O futebol brasileiro é implacável com treinadores que não entregam resultados, e o histórico de demissões prematuras no país é vasto. Casos recentes de técnicos estrangeiros que não resistiram à pressão serviam de alerta. O Santos é um clube de tradição vitoriosa — revelou Pelé, Neymar e Rodrygo — e sua torcida, conhecida por exigência, esperava uma reação imediata.
A semana seguinte à eliminação foi de apreensão no CT Rei Pelé. Jesualdo manteve-se confiante em entrevistas, afirmando que o trabalho precisava de tempo para amadurecer. A diretoria, por sua vez, dividia-se entre a crença no projeto de longo prazo e a urgência por resultados que o calendário impunha. O Campeonato Brasileiro, com seus 38 jogos, oferecia a chance de recuperação — mas também o risco de afundar ainda mais na crise.
Perguntas frequentes
Por que Jesualdo Ferreira estava na berlinda no Santos?
Jesualdo estava sob pressão após a eliminação do Santos nas quartas de final do Campeonato Paulista de 2020 para o Mirassol. O desempenho irregular da equipe ao longo de seus primeiros cinco meses de trabalho também contribuiu para o aumento das críticas da torcida e da imprensa.
Qual era a situação de Jesualdo antes de chegar ao Santos?
Antes de aceitar o convite do Santos, Jesualdo trabalhava na Argentina, onde desfrutava de estabilidade, autonomia para desenvolver seu trabalho e reconhecimento da direção e da imprensa local. Ele trocou essa segurança pelo desafio de comandar um dos maiores clubes do Brasil.
Quanto tempo Jesualdo Ferreira ficou no Santos?
Jesualdo permaneceu no Santos por aproximadamente seis meses, de fevereiro a agosto de 2020. Sua saída ocorreu após a eliminação no Paulistão e um início irregular no Campeonato Brasileiro.
Jesualdo conquistou títulos pelo Santos?
Não. Durante sua passagem pelo Santos, Jesualdo não conquistou títulos. Sua gestão foi marcada por resultados irregulares e pela eliminação precoce no Campeonato Paulista, sem tempo para consolidar um trabalho de longo prazo.
Fonte: Terra