Em 31 de julho de 2020, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica AstraZeneca assinaram um contrato de transferência de tecnologia para a produção da vacina contra a COVID-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford. O acordo foi noticiado pela Folha de S.Paulo e representa a primeira parceria desse tipo no Brasil para enfrentar a pandemia.

A vacina ChAdOx1 nCoV-19 (AZD1222) é uma das candidatas mais promissoras na corrida global pelo imunizante. Desenvolvida pelo Jenner Institute da Universidade de Oxford, ela utiliza um adenovírus de chimpanzé modificado para inserir o gene da proteína Spike do SARS-CoV-2, induzindo a produção de anticorpos sem causar a doença.

O acordo de transferência de tecnologia

O contrato prevê duas fases principais. Na primeira, a Fiocruz utiliza o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) importado da China para a formulação, envase e distribuição. Na segunda, ocorre a transferência completa do conhecimento para que o instituto produza o IFA em suas próprias instalações, garantindo autonomia tecnológica. Esse modelo de parceria é inédito para a instituição e exigiu a construção de uma nova planta industrial no Complexo de Bio-Manguinhos, no Rio de Janeiro.

O investimento total é de R$ 1,9 bilhão, dos quais R$ 1,3 bilhão são destinados à construção da fábrica e R$ 600 milhões para equipamentos e insumos. O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, assegurou a compra de 100 milhões de doses — 30 milhões importadas e 70 milhões produzidas localmente. A previsão era de que as primeiros doses fossem entregues em janeiro de 2021, após a conclusão dos testes e o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Testes clínicos e eficácia

Para comprovar a segurança e a eficácia, a Fiocruz coordenou a fase III dos ensaios clínicos no Brasil. Foram recrutados 5.000 voluntários em centros de pesquisa de seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Paraná. Os estudos foram conduzidos em parceria com a Universidade de Oxford.

Os resultados da fase III, publicados posteriormente, demonstraram eficácia média de 70% com dois esquemas de dosagem. A vacina apresentou perfil de segurança aceitável, com eventos adversos leves a moderados, e nenhum caso grave relacionado ao produto. A resposta imune observada foi robusta, com produção de anticorpos neutralizantes.

Vantagens logísticas e impacto no SUS

Diferentemente de outras vacinas que exigem armazenamento a temperaturas ultrabaixas, a vacina Fiocruz/AstraZeneca pode ser mantida entre 2 °C e 8 °C, utilizando a rede de refrigeração comum do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso facilita a distribuição para regiões remotas e reduz os custos de imunização. O custo por dose é de aproximadamente US$ 2 a US$ 3, tornando-a uma das opções mais baratas globalmente.

Com essa parceria, o Brasil se posicionou na vanguarda da produção de vacinas contra a COVID-19 na América Latina. A Fiocruz, que já fabrica outras vacinas do calendário nacional — como febre amarela e tríplice viral — reforçou seu papel estratégico na saúde pública. O acordo também prevê a possibilidade de exportação para países em desenvolvimento, contribuindo para a imunização global.

Em 1º de agosto de 2020, o Brasil já contava com mais de 2,5 milhões de casos confirmados de COVID-19 e mais de 90 mil mortes, segundo o Ministério da Saúde. A corrida por uma vacina era considerada urgente, e o acordo Fiocruz-AstraZeneca foi anunciado como a principal aposta do governo federal para imunizar a população.

Principais pontos do acordo

Perguntas frequentes

1. O que é a vacina Fiocruz/AstraZeneca?
É a vacina contra a COVID-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca, produzida no Brasil pela Fiocruz com transferência de tecnologia.
2. A vacina é segura?
Sim. Os ensaios clínicos demonstraram perfil de segurança aceitável e eficácia média de 70%. Ela foi aprovada por diversas agências reguladoras internacionais.
3. Quando a vacinação começou no Brasil?
A campanha de vacinação teve início em janeiro de 2021, após a Anvisa conceder autorização emergencial. As primeiras doses foram distribuídas para grupos prioritários.
4. A vacina é gratuita?
Sim, foi distribuída pelo SUS de forma gratuita, seguindo o Plano Nacional de Imunização.