O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) afirmou em entrevista que, se não tivesse ocorrido a investigação sobre o caso das rachadinhas, Fabrício Queiroz ainda estaria trabalhando como seu assessor. A declaração foi dada durante entrevista a veículos de imprensa e repercutiu no meio político brasileiro.

A declaração de Flávio Bolsonaro

Em entrevista concedida a jornalistas, Flávio Bolsonaro disse que Queiroz sempre foi um funcionário leal e que os problemas surgiram apenas após o início das apurações. "Se não tivesse acontecido nada de anormal, ele ainda seria meu assessor", afirmou o senador, referindo-se às suspeitas de desvio de salários de funcionários do gabinete quando ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A fala de Flávio ocorre em meio ao avanço das investigações sobre o suposto esquema de "rachadinhas", que ganhou grande repercussão nacional.

Quem é Fabrício Queiroz

Fabrício Queiroz foi assessor de Flávio Bolsonaro por mais de uma década, desde os primeiros mandatos do então deputado na Alerj. Ex-policial militar, Queiroz tornou-se uma figura próxima à família Bolsonaro, atuando como motorista e assessor pessoal. Durante os anos de trabalho no gabinete, consta que funcionários contratados para funções comissionadas devolviam parte de seus salários a Queiroz, que repassava os valores a Flávio. O caso ficou conhecido como "rachadinha" e levou o Ministério Público do Rio de Janeiro a abrir uma investigação.

O esquema das rachadinhas na Alerj

O Ministério Público do RJ investiga um suposto esquema de desvio de salários de servidores comissionados do gabinete de Flávio Bolsonaro durante seu período na Alerj (2003-2018). De acordo com as investigações, entre 10 e 20 funcionários eram contratados e devolviam entre 50% e 100% dos vencimentos a Fabrício Queiroz, que depois transferia os recursos ao senador. O valor total movimentado pode chegar a milhões de reais. O Conselho de Atividade Financeira (Coaf) foi o primeiro a detectar movimentações atípicas nas contas de Queiroz e de Flávio, o que deu início à apuração.

A Operação Furna da Onça

Em 2018, a força-tarefa do Ministério Público do RJ lançou a Operação Furna da Onça, que investigava desvios de verbas públicas na Alerj. No bojo da operação, as contas de Fabrício Queiroz foram analisadas e revelaram transações suspeitas, incluindo cheques e depósitos que totalizaram mais de R$ 1,2 milhão na conta do senador Flávio Bolsonaro. Queiroz foi preso preventivamente em junho de 2020, durante uma fase da operação. A prisão foi autorizada pela Justiça do RJ, mas depois revogada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em agosto do mesmo ano, permitindo que Queiroz respondesse ao processo em liberdade.

A defesa de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade. Ele afirma que as movimentações financeiras em sua conta correspondem a empréstimos pessoais a Queiroz e devoluções de valores, integralmente declarados à Receita Federal. A defesa do senador também questiona a validade das provas obtidas, alegando que a quebra do sigilo bancário e fiscal de Queiroz foi realizada sem autorização judicial competente, e tenta anular as evidências desde o início. Por enquanto, a Justiça ainda não se pronunciou definitivamente sobre a legalidade das provas.

Repercussão política

A declaração de Flávio Bolsonaro reacendeu o debate sobre a investigação e gerou reações imediatas. Parlamentares da oposição pedem o aprofundamento das investigações e afirmam que o caso é uma ameaça à credibilidade do governo Bolsonaro. Por outro lado, aliados do presidente defendem a inocência de Flávio e criticam o que chamam de "perseguição política" contra a família Bolsonaro. O caso também alimenta discursos de apoio e oposição nas redes sociais e na imprensa.

O andamento do inquérito

Até o momento, Flávio Bolsonaro não foi formalmente denunciado, mas continua como investigado. O Ministério Público do RJ aguarda decisões judiciais para dar seguimento ao inquérito. O processo corre em segredo de Justiça. Especialistas apontam que o caso pode levar anos para ser concluído, especialmente porque envolve uma autoridade com foro privilegiado. Enquanto isso, a opinião pública permanece dividida sobre a culpabilidade de Flávio e a legalidade das provas obtidas.

Entenda o caso: pontos principais

  • O que é a rachadinha: esquema em que funcionários de gabinete são contratados e devolvem parte dos salários ao político ou a intermediários.
  • Quem é Fabrício Queiroz: ex-assessor de Flávio Bolsonaro, apontado como operador do esquema na Alerj.
  • Investigação: o Ministério Público do RJ apura movimentações financeiras suspeitas entre Queiroz, Flávio e outros envolvidos.
  • Defesa: Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que as movimentações são legais.
  • Status: Flávio é investigado, mas não foi formalmente denunciado.

Perguntas frequentes sobre o caso

O que Flávio Bolsonaro disse exatamente?

O senador afirmou em entrevista que, se não houvesse investigação, Queiroz continuaria como seu assessor, destacando a lealdade do ex-funcionário. A frase gerou repercussão porque muitos a interpretaram como admissão de que o esquema existia e só foi interrompido pelas investigações.

Queiroz ainda trabalha com Flávio?

Não. Fabrício Queiroz foi afastado do cargo após a deflagração das investigações e chegou a ser preso preventivamente. Atualmente, responde ao processo em liberdade e não mantém vínculo com o gabinete de Flávio.

Qual a quantia movimentada no esquema?

O Ministério Público aponta movimentações bancárias atípicas que somam cerca de R$ 1,2 milhão na conta de Flávio Bolsonaro entre 2016 e 2017, oriundos de depósitos feitos por Queiroz e outros assessores. Outras transações ainda estão sendo analisadas.

Flávio Bolsonaro pode ser preso?

Não há previsão de prisão de Flávio neste momento. Ele é investigado, mas ainda não há denúncia formal. Caso o MP ofereça denúncia e ela seja aceita, Flávio responderá ao processo como réu. A eventual condenação poderia levar a penas restritivas de direitos, mas a prisão é considerada improvável dadas as circunstâncias processuais atuais.

O que diz a defesa de Flávio?

A defesa de Flávio Bolsonaro afirma que as provas foram obtidas de forma ilegal e tenta anular todo o processo. Os advogados defendem que as transações financeiras são lícitas e declaradas, e que Flávio é vítima de perseguição política.