Um tribunal federal de apelações dos Estados Unidos revogou a pena de morte de Dzhokhar Tsarnaev, condenado pelo atentado da Maratona de Boston em 2013. A decisão da Primeira Corte de Apelações do Primeiro Circuito, divulgada em 31 de julho de 2020, anulou a sentença capital, mas manteve Tsarnaev preso em regime de prisão perpétua. O tribunal entendeu que houve falhas no processo de seleção do júri, contaminado pela intensa cobertura da mídia antes e durante o julgamento.
O atentado ocorreu em 15 de abril de 2013, quando duas bombas caseiras explodiram perto da linha de chegada da Maratona de Boston, matando três pessoas — Martin Richard, de 8 anos, Krystle Campbell, de 29, e Lu Lingzi, de 23 — e ferindo outras 264. Os irmãos Dzhokhar e Tamerlan Tsarnaev, de origem chechena, foram rapidamente identificados como suspeitos. Tamerlan morreu em um confronto com a polícia em 19 de abril, após uma intensa caçada que paralisou a região metropolitana de Boston. Dzhokhar foi capturado escondido em um barco no quintal de uma residência em Watertown.
Em 2015, Dzhokhar Tsarnaev foi considerado culpado por 30 acusações federais, incluindo uso de arma de destruição em massa e homicídio. O júri recomendou a pena de morte, e o juiz a impôs. Tsarnaev foi enviado para o corredor da morte na Penitenciária de Florence, no Colorado.
A defesa recorreu, argumentando que o juiz distrital George O'Toole Jr. falhou ao garantir um júri imparcial. A cobertura maciça da mídia, incluindo detalhes do atentado e da captura, teria predisposto os jurados contra Tsarnaev. Em julho de 2020, por 2 votos a 1, a Primeira Corte de Apelações concordou, anulando a sentença de morte e ordenando um novo julgamento apenas para a fase de penalidade, mas mantendo a condenação.
O Departamento de Justiça, sob a administração do presidente Donald Trump, anunciou que recorreria da decisão à Suprema Corte. O procurador-geral William P. Baker classificou a decisão como "profundamente preocupante" e afirmou que o governo continuaria buscando a pena capital para Tsarnaev. Entretanto, a transição para a administração Biden em 2021 trouxe incertezas, uma vez que o governo Biden havia sinalizado oposição à pena de morte em nível federal.
Familiares das vítimas reagiram de forma dividida. Alguns apoiaram a anulação, expressando cansaço com o longo processo judicial e preferindo que Tsarnaev permanecesse preso perpétuamente. Outros, como Bill Richard, pai de Martin, manifestaram frustração, afirmando que a decisão prolongava o sofrimento. Organizações de direitos civis, como a ACLU, elogiaram a decisão, destacando a falha no sistema de júri e a parcialidade causada pela mídia.
O caso Tsarnaev tornou-se um símbolo dos desafios de julgar crimes de terrorismo nos Estados Unidos, especialmente quando envolvem grande comoção pública. A decisão da corte de apelações reabriu o debate sobre a constitucionalidade e a aplicação da pena de morte em casos federais, um tema que permanece polarizado no país.
Atualmente, Dzhokhar Tsarnaev continua detido na Penitenciária Administrativa Máxima de Florence, Colorado, aguardando os próximos passos legais. Se a Suprema Corte aceitar o recurso do governo, o caso poderá levar anos até uma decisão final.