O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) prestou depoimento à Polícia Federal no âmbito do inquérito que investiga o suposto vazamento de informações sobre uma operação da PF. O depoimento foi acompanhado por advogados e ocorreu na sede da PF em Brasília na última semana. Confira os principais trechos e detalhes do depoimento que se tornou público parcialmente.
Contexto do inquérito
O inquérito foi instaurado em 2020 para apurar se houve vazamento de detalhes de uma operação da Polícia Federal que tinha como alvo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A operação em questão visava cumprir mandados de busca e apreensão contra suspeitos de integrar um esquema de disseminação de fake news e ameaças a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso tramita sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que autorizou a abertura da investigação com base em indícios de que informações sigilosas teriam sido repassadas a investigados antes do cumprimento das medidas judiciais.
Flávio Bolsonaro, que é senador e filho do ex-presidente, foi chamado a depor na condição de investigado, mas sempre negou qualquer envolvimento. A defesa do senador sustenta que ele não teve acesso a informações privilegiadas e que as acusações são infundadas.
O depoimento
Segundo a reportagem do G1, o senador respondeu a perguntas dos investigadores por aproximadamente três horas. Ele chegou à sede da PF acompanhado de seus advogados e, ao final, afirmou ter colaborado plenamente com as autoridades. Flávio negou terminantemente ter participado de qualquer vazamento e disse que sempre respeitou o sigilo das informações a que teve acesso em função do cargo parlamentar.
Durante o depoimento, Flávio também foi questionado sobre sua relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro e sobre supostas reuniões que teriam tratado de assuntos relacionados à operação. Ele afirmou que nunca discutiu temas sigilosos com o pai ou com qualquer outra pessoa e que as acusações são uma tentativa de atingir sua família politicamente.
Principais trechos do depoimento
- Acesso a informações: Flávio afirmou que não tinha acesso a informações privilegiadas sobre operações da PF e que nunca solicitou dados sigilosos a qualquer agente público.
- Acusações: O senador disse que as denúncias são baseadas em suposições e que não há provas concretas contra ele. Classificou o processo como uma “perseguição política”.
- Obstrução: Ele negou qualquer tipo de articulação para obstruir a justiça ou para obter vantagens com o suposto vazamento. Disse que sempre colaborou com as investigações.
- Documentos: A defesa apresentou documentos que, segundo os advogados, comprovam que Flávio não estava envolvido nas tratativas mencionadas pela acusação. Os investigadores ainda analisam o material.
- Relação com o ex-presidente: Perguntado sobre a relação com Jair Bolsonaro, Flávio disse que mantém um vínculo familiar e político, mas que isso não influencia sua conduta pública. Afirmou que nunca usou o cargo para beneficiar o pai ou aliados.
Reações
A defesa de Flávio Bolsonaro classificou o depoimento como esclarecedor e reiterou a confiança na inocência do senador. Em nota, os advogados afirmaram que todas as perguntas foram respondidas de forma transparente e que esperam que o inquérito seja arquivado por falta de provas. A Polícia Federal ainda analisa as declarações e deve produzir um relatório sobre o depoimento nos próximos dias.
Já os advogados de acusação, que representam os interesses das supostas vítimas do vazamento, afirmaram que o depoimento não trouxe elementos novos e que aguardam as próximas etapas da investigação.
Próximos passos
O inquérito segue em sigilo, mas novas testemunhas devem ser ouvidas nas próximas semanas. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, deve decidir sobre a necessidade de novas diligências, como quebra de sigilos e oitivas adicionais. A expectativa é que o caso tenha desfecho apenas após a conclusão das investigações, o que pode levar vários meses.
Perguntas frequentes
- O que é o inquérito do vazamento?
- É uma investigação da Polícia Federal, autorizada pelo STF, para apurar se houve vazamento de informações sigilosas sobre uma operação da PF para investigados. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
- Qual a posição de Flávio Bolsonaro?
- Ele nega envolvimento no vazamento e afirma que colabora com as investigações. Seus advogados defendem a inocência do senador e pedem o arquivamento do inquérito.
- Quem mais é investigado?
- O inquérito também apura o papel de outras pessoas que teriam participado do suposto vazamento. Os nomes não foram divulgados devido ao sigilo, mas a investigação abrange assessores e aliados do ex-presidente.
- Qual a pena para vazamento de informações sigilosas?
- O vazamento de informações sigilosas pode configurar crime de violação de sigilo funcional, com pena de detenção de 2 a 6 anos, além de outras sanções administrativas.
Fonte: G1