Em meio às crescentes ameaças de proibição nos Estados Unidos e aos boatos de venda das operações americanas, o TikTok emitiu um comunicado no dia 2 de agosto de 2020 afirmando que "estamos aqui pra ficar". A declaração foi uma tentativa de tranquilizar os milhões de usuários da plataforma, que temiam ser banidos do aplicativo de vídeos curtos. O TikTok se tornou um dos aplicativos mais baixados do mundo, com mais de 800 milhões de usuários ativos globais, sendo cerca de 100 milhões apenas nos Estados Unidos. A plataforma revolucionou o consumo de conteúdo com seus vídeos curtos e algoritmos viciantes, mas sua origem chinesa a colocou no centro de uma disputa geopolítica entre os EUA e a China. O governo Trump, que já havia imposto sanções à Huawei e pressionado pela venda da operação americana, via o TikTok como uma extensão da vigilância chinesa — algo que a ByteDance sempre negou.
Contexto
O governo do presidente Donald Trump vinha sinalizando que poderia banir o TikTok nos EUA, alegando preocupações com a segurança nacional. A administração argumentava que os dados dos usuários americanos poderiam ser acessados pelo governo chinês, já que a ByteDance, empresa controladora do TikTok, é sediada na China. O presidente Trump chegou a afirmar que assinaria uma ordem executiva para efetivar a proibição. O Committee on Foreign Investment in the United States (CFIUS) já vinha investigando o TikTok desde 2019, analisando a aquisição da Musical.ly (que deu origem ao TikTok americano). A pressão sobre empresas chinesas crescia, e o TikTok se tornou o alvo mais visível no setor de tecnologia.
Reação do TikTok
Em resposta, o TikTok reiterou que não compartilha dados de usuários com o governo chinês e que está comprometido com a transparência. A empresa destacou que já havia implementado medidas como a criação de um centro de dados nos EUA e a contratação de especialistas em segurança para garantir a proteção das informações dos usuários. "Estamos aqui para ficar", afirmou a empresa em comunicado, reforçando seu compromisso de continuar operando no país. Além disso, a ByteDance anunciou planos de criar um conselho de supervisão independente e permitir auditorias de segurança por terceiros. A empresa também contratou executivos de peso, como o ex-disney Kevin Mayer como CEO do TikTok, para mostrar sua seriedade em se adaptar ao mercado americano.
Boatos de venda
Paralelamente à ameaça de banimento, veículos de imprensa noticiaram que a ByteDance estava em negociações avançadas para vender as operações do TikTok nos EUA para a Microsoft. A possível venda incluía a transferência dos dados dos usuários e a garantia de que o aplicativo continuaria funcionando normalmente. As negociações envolviam também a possibilidade de o governo americano ter algum controle sobre a plataforma para mitigar os riscos de segurança. Segundo fontes, a Microsoft estava disposta a pagar entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões pelas operações nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Outras empresas, como Oracle e Twitter, também demonstraram interesse, mas a Microsoft era a favorita. A venda era vista como uma maneira de evitar o banimento total e dar ao governo Trump garantias de segurança.
Proibição na Índia
Em junho de 2020, o TikTok já havia sido banido na Índia, um dos seus maiores mercados, juntamente com outros aplicativos chineses. A decisão do governo indiano intensificou as preocupações sobre a segurança dos dados e serviu de precedente para o movimento nos EUA. O TikTok buscou reverter a decisão na Justiça indiana, mas sem sucesso imediato. A Índia tinha cerca de 200 milhões de usuários ativos do TikTok, e o banimento representou um duro golpe para a ByteDance, que perdeu uma enorme base de usuários. O governo indiano também baniu outros aplicativos chineses, como WeChat, UC Browser e PUBG Mobile, citando preocupações semelhantes.
Legislação e lobby
Nos EUA, o TikTok investiu fortemente em lobby e contratou executivos com experiência em segurança nacional para tentar influenciar a decisão do governo. A empresa também propôs medidas como a criação de um conselho de supervisão independente e a realização de auditorias de segurança para demonstrar seu compromisso com a privacidade dos usuários. Em 2020, a ByteDance gastou milhões de dólares em lobbying em Washington, contratando firmas de advocacia e ex-funcionários do governo, incluindo o ex-chefe de segurança nacional do Departamento de Defesa. Além disso, o TikTok nomeou o ex-parceiro do FBI, Michael Beckerman, como chefe de políticas públicas nos EUA.
Ameaça de ordem executiva
O presidente Trump já havia indicado que assinaria uma ordem executiva para proibir transações com a ByteDance nos Estados Unidos. A medida poderia forçar a venda das operações do TikTok ou efetivamente banir o aplicativo das lojas de aplicativos americanas. O prazo para a conclusão das negociações era curto, o que gerou uma corrida contra o tempo. A ordem executiva foi finalmente assinada em 6 de agosto de 2020, dando 45 dias para a ByteDance vender o TikTok nos EUA.
Impacto nos usuários
A incerteza sobre o futuro do TikTok gerou preocupação entre criadores de conteúdo e usuários comuns, que temiam perder o acesso à plataforma. Muitos influenciadores digitais passaram a incentivar seus seguidores a baixar seus vídeos e a migrar para outras redes sociais, como o Instagram Reels, que estava sendo lançado na época como concorrente direto do TikTok. O YouTube também começou a testar o YouTube Shorts. Para acalmar os criadores, o TikTok lançou um fundo de US$ 200 milhões para criadores de conteúdo nos EUA, prometendo pagar pelos vídeos populares. Apesar disso, muitos influenciadores se prepararam para o pior, diversificando sua presença online para não depender exclusivamente de uma plataforma.
Principais pontos
- O TikTok afirmou que "estamos aqui pra ficar" em meio a ameaças de proibição e boatos de venda.
- O governo Trump alegava riscos à segurança nacional para justificar o banimento.
- A ByteDance estava em negociações para vender as operações americanas para a Microsoft.
- Usuários e criadores de conteúdo se preocupavam com o futuro da plataforma.
- O aplicativo também havia sido banido na Índia em junho de 2020.
- O CFIUS investigava o TikTok desde a aquisição da Musical.ly em 2017.
- A Microsoft era a principal candidata à compra, com oferta estimada em até US$ 30 bilhões.
Perguntas frequentes
O TikTok vai ser banido nos EUA?
Na época, a decisão final ainda não havia sido tomada. O governo Trump ameaçava banir o aplicativo, mas também considerava a venda das operações americanas como alternativa. O desfecho dependia das negociações entre a ByteDance e possíveis compradores.
Por que o governo Trump queria proibir o TikTok?
A administração Trump alegava riscos à segurança nacional, argumentando que os dados dos usuários americanos poderiam ser acessados pelo governo chinês. O TikTok sempre negou essas acusações.
O TikTok estava à venda?
Sim, havia boatos de que a ByteDance estava negociando a venda das operações do TikTok nos EUA para a Microsoft e outras empresas. A venda era vista como uma forma de evitar o banimento total.
Como o TikTok respondeu às acusações?
O TikTok criou um centro de dados nos Estados Unidos, contratou especialistas em segurança e implementou medidas de transparência, como a publicação de relatórios de remoção de conteúdo. A empresa também se comprometeu a permitir auditorias independentes.
O que aconteceu com os usuários na Índia?
Após o banimento na Índia, os usuários perderam o acesso ao aplicativo. A ByteDance demitiu funcionários e entrou com ações judiciais contra a decisão do governo indiano.
Fonte: O Globo