Após mais de cinco meses fechadas por causa da pandemia de COVID-19, as agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começaram a reabrir gradualmente em todo o Brasil a partir de setembro de 2020. O retorno dos atendimentos presenciais, no entanto, foi marcado por cenas de longas filas, reclamações generalizadas de segurados e a ausência de médicos peritos suficientes para realizar as perícias médicas, essenciais para a concessão de benefícios.

Reabertura gradual e o choque com a realidade

Com a suspensão dos atendimentos presenciais em março de 2020, o INSS passou a operar exclusivamente por canais remotos como o site Meu INSS e o telefone 135. Serviços como aposentadorias, pensões e auxílios-doença continuaram a ser requeridos, mas a ausência de perícias presenciais gerou um imenso backlog. Ao reabrir as portas, o órgão enfrentou uma demanda reprimida que superou a capacidade de atendimento. A comunicação oficial recomendava agendamento prévio obrigatório, mas muitos segurados compareceram sem agendamento, agravando as filas.

Filas e superlotação: o retrato do descaso

Imagens de filas que se estendiam por quarteirões foram registradas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Segurados relataram esperas de mais de quatro horas, mesmo com horário marcado. A limitação do número de pessoas dentro das agências para garantir o distanciamento social reduziu a velocidade do atendimento. Em várias unidades, a polícia foi acionada para organizar a multidão. A Defensoria Pública da União (DPU) recomendou a suspensão do atendimento presencial em cidades com alta incidência de COVID-19, citando o risco de contágio.

Falta de médicos peritos: um problema crônico agravado

A carência de médicos peritos já era uma realidade antes da pandemia, mas o cenário se agravou com o remanejamento de profissionais para funções administrativas, aposentadorias e afastamentos por pertencerem ao grupo de risco. Muitas agências passaram a operar com apenas um ou dois peritos por dia, insuficientes para atender a demanda acumulada. A perícia médica é etapa obrigatória para benefícios como auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, auxílio-acidente e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) em alguns casos. A ausência desses profissionais deixou milhares de segurados sem data para a avaliação.

Telemedicina como alternativa emergencial

Para tentar contornar a falta de peritos e reduzir a necessidade de deslocamento, o INSS ampliou a realização de perícias por telemedicina. Por meio de videoconferência, o segurado é avaliado por um perito à distância. A medida foi bem recebida por parte dos segurados que possuem acesso à internet e equipamentos, mas exclui uma parcela significativa da população, especialmente idosos e moradores de regiões com conectividade limitada. Além disso, nem todos os tipos de perícia podem ser realizados remotamente, o que mantém a pressão sobre o atendimento presencial.

Orientações do INSS e direitos dos segurados

O INSS orienta que todos os atendimentos presenciais sejam agendados previamente pelo site Meu INSS (meu.inss.gov.br) ou pelo telefone 135. É necessário confirmar o agendamento antes de se deslocar, pois serviços podem ser cancelados sem aviso. O órgão também recomenda que segurados com sintomas gripais evitem comparecer à agência. Em caso de cancelamento da perícia, o segurado deve reagendar o mais rápido possível e, se houver urgência, solicitar a perícia por telemedicina. Vale lembrar que o benefício pode ser requerido mesmo sem a perícia presencial, mas a conclusão do processo depende da avaliação.

Repercussão e próximos passos

Sindicatos de servidores do INSS e associações de aposentados criticaram a condução da reabertura, apontando falta de planejamento e infraestrutura. O governo federal anunciou a contratação de novos peritos temporários e a ampliação do atendimento remoto, mas os efeitos práticos ainda não foram sentidos nas agências. A expectativa é que a situação se normalize ao longo dos próximos meses, conforme a vacinação avance e o número de casos de COVID-19 diminua.

Principais reclamações dos segurados

  • Falta de médicos peritos para realização de perícias;
  • Longas filas mesmo com agendamento prévio;
  • Dificuldade de contato com o telefone 135 (linha congestionada);
  • Cancelamento de perícias sem aviso prévio;
  • Aglomeração nas filas externas, com risco de contágio;
  • Falta de transparência sobre o andamento dos processos.

Perguntas frequentes

Como agendar atendimento no INSS? O agendamento pode ser feito pelo site Meu INSS (meu.inss.gov.br) ou pelo telefone 135, de segunda a sábado, das 7h às 22h. Tenha em mãos o CPF e o número do benefício, se houver.

Quais serviços exigem atendimento presencial? Perícias médicas, justificação judicial, reconhecimento de direitos (casos especiais) e recursos que necessitam de documentação física. A maioria dos serviços já pode ser feita pelos canais remotos.

É obrigatório usar máscara na agência? Sim, o uso de máscara é obrigatório durante todo o período de permanência na agência. A instituição também disponibiliza álcool em gel e mede a temperatura na entrada.

O que fazer se a perícia for cancelada? O INSS orienta reagendar pelo mesmo canal do agendamento. Caso haja urgência médica, procure a perícia por telemedicina ou entre em contato com o 135 para orientação específica.

A perícia por telemedicina tem a mesma validade? Sim, a perícia realizada por videoconferência tem o mesmo valor legal da presencial. O segurado deve estar em local iluminado, com conexão estável e apresentar os documentos solicitados.

Estou sem acesso à internet. Como faço para agendar? O telefone 135 é a alternativa para quem não tem acesso à internet. O atendimento é gratuito e, em caso de dificuldade, o segurado pode pedir auxílio a um familiar ou procurar uma agência para orientação.