O Brasil atingiu a marca de 133.119 mortes por Covid-19 na noite de 16 de setembro de 2020, de acordo com o boletim das 20h divulgado pelo consórcio de veículos de imprensa. O número representava um aumento significativo em relação às semanas anteriores, mantendo o país entre os mais afetados pela pandemia no mundo. Os dados, coletados diretamente das 27 secretarias estaduais de Saúde, também apontavam 4.282.164 casos confirmados da doença até aquele momento.
O consórcio de veículos de imprensa
Formado por O Globo, G1, Folha de S.Paulo, UOL, O Estado de S. Paulo e Extra, o consórcio foi criado em junho de 2020 como uma resposta à falta de transparência e às inconsistências nos dados oficiais do Ministério da Saúde. A partir da coleta direta nas 27 secretarias estaduais de Saúde, o grupo passou a divulgar dois boletins diários (13h e 20h) com os números atualizados de casos e óbitos pela Covid-19. A iniciativa tornou-se referência para a imprensa, pesquisadores e a população, que passaram a acompanhar os números com mais confiança.
No balanço das 20h daquela quarta-feira, o Brasil totalizava 4.282.164 casos confirmados da doença. A média móvel de mortes nos últimos 7 dias era de aproximadamente 760 óbitos diários, número que vinha em uma trajetória de estabilização, mas ainda em um patamar muito elevado. O consórcio também destacava que três estados (SP, RJ e CE) concentravam quase metade dos óbitos, evidenciando a desigualdade regional da pandemia.
Os números do boletim
- Total de mortes: 133.119
- Total de casos: 4.282.164
- Média móvel de mortes (7 dias): ~760
- Estados com mais óbitos: SP (35.519), RJ (16.856), CE (9.619), MG (8.514), PE (8.210)
- Região com maior letalidade: Norte, com destaque para Amazonas e Pará, que enfrentaram colapso hospitalar nos meses anteriores.
Contexto da pandemia em setembro de 2020
Setembro de 2020 marcava seis meses desde a primeira morte confirmada pela Covid-19 no Brasil, ocorrida em março. O sistema de saúde seguia sob pressão em diversas regiões do país. Embora a taxa de ocupação de leitos de UTI estivesse mais controlada do que no pico de abril e maio, várias cidades ainda registravam filas por leitos e dificuldades na assistência hospitalar. As regiões Norte e Nordeste, que haviam sofrido com surtos intensos entre abril e junho, apresentavam melhora, enquanto o Sul e o Centro-Oeste viam aumento de casos.
A reabertura econômica ocorria de forma gradual e desigual entre os estados. Enquanto algumas regiões retomavam atividades presenciais, outras mantinham restrições mais severas para conter o avanço do vírus. O uso de máscaras era obrigatório em grande parte do território nacional, e o distanciamento social continuava sendo a principal recomendação das autoridades de saúde. Escolas e universidades permaneciam majoritariamente em ensino remoto, e eventos públicos estavam proibidos na maioria das cidades.
O impacto econômico já era sentido: o PIB brasileiro havia encolhido 9,7% no segundo trimestre de 2020, e o auxílio emergencial de R$ 600,00 mensais, criado em abril, era a principal rede de proteção para milhões de famílias. O debate político girava em torno da prorrogação do benefício e das medidas de estímulo à retomada.
A corrida pela vacina
Naquela altura, ainda não existia vacina ou tratamento específico amplamente disponível contra a Covid-19. Diversos medicamentos eram testados, e o debate em torno do uso da cloroquina e da ivermectina polarizava o país, sem comprovação científica de eficácia contra o coronavírus. As primeiras vacinas, como a CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a Sinovac, e a vacina de Oxford/AstraZeneca, em parceria com a Fiocruz, estavam em fase 3 de testes no Brasil. A vacinação em massa só teria início em janeiro de 2021, com a aprovação emergencial pela Anvisa.
Apesar dos avanços nos estudos, setembro de 2020 foi marcado por incertezas quanto à data de disponibilidade dos imunizantes. Especialistas alertavam que a imunização de toda a população levaria meses e que era fundamental manter as medidas não farmacológicas, como uso de máscaras e distanciamento, até que a cobertura vacinal fosse suficiente.
Perguntas frequentes sobre a pandemia e o consórcio de imprensa
O que é o consórcio de veículos de imprensa?
Foi uma iniciativa inédita de grandes veículos de comunicação brasileiros — O Globo, G1, Folha, UOL, Estadão e Extra — para unificar e divulgar os dados da Covid-19 diretamente das secretarias estaduais de Saúde, garantindo maior transparência e precisão às informações. Os boletins eram publicados duas vezes ao dia e serviam como fonte oficial paralela ao Ministério da Saúde.
Qual era a situação do Brasil na pandemia em setembro de 2020?
O Brasil era um dos epicentros globais da pandemia, com mais de 133 mil mortes acumuladas e 4,2 milhões de casos confirmados. O país ocupava a segunda posição no ranking mundial de mortes, atrás apenas dos Estados Unidos. A média de óbitos diários ainda superava 700, e a transmissão comunitária estava presente em todo o território nacional.
Quantas mortes por Covid-19 o Brasil registrava naquele momento?
Segundo o consórcio, em 16 de setembro de 2020, o Brasil contabilizava 133.119 mortes pela doença. Esse número correspondia a cerca de 13% do total mundial na época, uma proporção desproporcional à população brasileira (cerca de 2,7% da população global).
Quando começou a vacinação contra a Covid-19 no Brasil?
A campanha de vacinação no Brasil teve início em 17 de janeiro de 2021, com a aplicação das primeiras doses da CoronaVac em profissionais de saúde e grupos prioritários. A vacinação em massa da população começou nos meses seguintes, seguindo a ordem de grupos de risco determinada pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação.
Fonte: O Globo