Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, o general Eduardo Pazuello foi efetivado como ministro da Saúde nesta quarta-feira (16), pondo fim a um período de quatro meses em que o cargo era ocupado de forma interina. A nomeação ocorre em meio ao agravamento da pandemia de COVID-19 no Brasil, que já ultrapassava a marca de 130 mil mortes na época.

Pazuello assumiu o comando da pasta em 15 de maio de 2020, após a saída de Nelson Teich, que permaneceu apenas 28 dias no cargo. Ex-médico e ex-ministro da Saúde durante o governo de Dilma Rousseff, Teich deixou o posto em meio a divergências com o presidente Jair Bolsonaro sobre o enfrentamento da pandemia. Antes dele, Luiz Henrique Mandetta também havia deixado o ministério por discordâncias relacionadas às medidas de isolamento social e ao uso da cloroquina no tratamento da COVID-19.

Com a saída de Teich, Pazuello — que era secretário-executivo da pasta — assumiu interinamente. Durante o período como interino, o general seguiu as diretrizes do governo federal, defendendo o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a COVID-19 e participando de eventos políticos ao lado do presidente. Sua atuação foi alvo de críticas de entidades médicas e científicas, que apontavam falta de transparência e coordenação na resposta à pandemia.

O ato de efetivação contou com a presença de Bolsonaro e de integrantes do alto escalão do governo. Em seu discurso, o presidente destacou a trajetória militar de Pazuello e sua capacidade de gestão, enquanto o novo ministro prometeu dar continuidade ao trabalho já iniciado e intensificar as ações de combate ao coronavírus. A cerimônia ocorreu em um momento de alta taxa de contágio e de pressão sobre o sistema de saúde em diversas regiões do país.

Natural do Rio de Janeiro, Eduardo Pazuello é general de divisão do Exército Brasileiro, formado pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Antes de assumir o Ministério da Saúde, ele ocupou cargos administrativos na área logística do Exército e foi secretário extraordinário de Apoio à Reforma Agrária. Sua indicação para a equipe econômica da saúde ocorreu em abril de 2020, quando foi nomeado secretário-executivo da pasta.

A efetivação de Pazuello foi vista por analistas como uma consolidação da influência militar no governo federal. Desde o início da gestão Bolsonaro, militares da ativa e da reserva passaram a ocupar posições estratégicas em diversos ministérios e órgãos públicos. No caso da Saúde, a presença de um general à frente da pasta gerou controvérsia, especialmente por sua falta de experiência prévia na área de saúde pública.

O novo ministro assumiu com desafios imediatos: coordenar a aquisição e distribuição de vacinas contra a COVID-19 — que ainda estavam em fase de testes —, reorganizar o planejamento do combate à pandemia, restabelecer o diálogo com estados e municípios e enfrentar a crise de abastecimento de insumos hospitalares em várias localidades. Além disso, o ministério enfrentava investigações relacionadas a possíveis irregularidades em contratos emergenciais firmados durante a pandemia.

Contexto político e sanitário

A efetivação de Pazuello ocorreu em meio a um cenário de forte polarização política e de escalada da pandemia no Brasil. O país registrava uma média móvel de mais de 700 mortes diárias, e especialistas alertavam para o risco de colapso do sistema de saúde em várias capitais. A condução da crise sanitária pelo governo federal era alvo de críticas de organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomendava medidas de distanciamento social e uso de máscaras — ações que nem sempre eram endossadas publicamente pelo presidente.

Durante o período como interino, Pazuello evitou confrontos diretos com governadores e prefeitos, adotando um perfil mais técnico e administrativo. Ele coordenou a ampliação do número de leitos de UTI em hospitais de campanha e a distribuição de equipamentos de proteção individual (EPIs) para profissionais de saúde. No entanto, a falta de uma estratégia nacional unificada para testagem e rastreamento de contatos foi apontada como uma das principais falhas na resposta brasileira à pandemia.

Repercussão

A efetivação de Pazuello foi recebida com cautela por entidades médicas e por integrantes do Congresso Nacional. O Conselho Federal de Medicina (CFM) manifestou preocupação com a ausência de um profissional da saúde à frente do ministério, enquanto parlamentares da oposição criticaram a militarização da pasta e anunciaram que intensificariam a fiscalização das ações do governo no combate à pandemia. Já aliados do governo elogiaram a postura do general e defenderam sua permanência no cargo, destacando sua capacidade de gestão e lealdade ao presidente.

Ao longo de sua gestão como titular, Pazuello comandou o ministério durante a fase mais letal da pandemia no Brasil, que incluiu o colapso do sistema de saúde em Manaus em janeiro de 2021. Ele permaneceu no cargo até março de 2021, quando foi substituído pelo médico Marcelo Queiroga em meio a uma nova crise política na área da saúde.

Perguntas frequentes

Quanto tempo Pazuello ficou como ministro interino antes de ser efetivado?
Pazuello atuou como ministro interino por aproximadamente quatro meses, entre 15 de maio e 16 de setembro de 2020, quando foi efetivado em cerimônia no Palácio do Planalto.

Qual foi a formação de Eduardo Pazuello?
Eduardo Pazuello é general de divisão do Exército Brasileiro, formado pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Antes de assumir o Ministério da Saúde, sua carreira foi predominantemente na área logística militar.

Por que a efetivação de Pazuello gerou controvérsia?
A nomeação de um militar sem experiência prévia em saúde pública para comandar o ministério responsável pelo enfrentamento da pandemia de COVID-19 foi alvo de críticas de entidades médicas, cientistas e parlamentares da oposição, que apontavam a militarização da pasta e a falta de uma liderança técnica especializada.

Quais foram os principais desafios de Pazuello à frente do ministério?
Entre os desafios estavam a coordenação da resposta à pandemia, a aquisição de vacinas ainda em desenvolvimento, o diálogo com estados e municípios, a superação da crise de abastecimento de insumos hospitalares e a transparência na gestão dos contratos emergenciais firmados durante a crise sanitária.