O ministro das Comunicações, Fabio Faria, revelou nesta quarta-feira (16 de setembro de 2020) que empresas de grande porte, como a Magazine Luiza e a FedEx, manifestaram interesse na privatização dos Correios. A declaração foi feita durante reunião com investidores e representantes do setor logístico.

Segundo o ministro, o governo tem recebido manifestações de interesse de diversas empresas, nacionais e estrangeiras, na compra da estatal postal. "A Magazine Luiza e a FedEx são algumas das que demonstraram interesse", afirmou Faria, ressaltando que a desestatização dos Correios é uma das prioridades da equipe econômica para 2020 e 2021.

O cenário da privatização

O governo federal trabalha em um projeto de lei para autorizar a venda dos Correios. A proposta, que tramita no Congresso Nacional, prevê diferentes modelos de desestatização, incluindo a alienação total ou parcial do capital social. O Ministério da Economia defende que a privatização pode gerar economia aos cofres públicos e melhorar a qualidade dos serviços.

Os Correios enfrentam dificuldades financeiras há anos, com prejuízos recorrentes e perda de mercado para concorrentes privados. A pandemia de Covid-19 acelerou a necessidade de modernização, com o aumento expressivo das encomendas online.

Magazine Luiza: interesse estratégico

A Magazine Luiza, uma das maiores varejistas do Brasil, tem investido pesadamente em logística para atender à demanda do e-commerce. A empresa já possui centros de distribuição próprios e adquiriu a startup Logbee em 2019 para reforçar sua capacidade de entrega. O interesse nos Correios pode representar um passo adiante nessa estratégia, ao incorporar a capilaridade dos Correios em todo o território nacional.

Para a Magazine Luiza, ter acesso à rede dos Correios significaria reduzir a dependência de transportadoras terceiras e ampliar o alcance em regiões remotas, onde a estatal ainda é dominante.

FedEx: expansão no Brasil

A FedEx, gigante americana de logística, já opera no Brasil por meio de sua subsidiária FedEx Express. A aquisição dos Correios permitiria à empresa ampliar sua participação no mercado brasileiro de logística integrada, competindo diretamente com players como DHL e Mercado Livre. A FedEx tem histórico de aquisições estratégicas em mercados emergentes, e o Brasil é considerado prioritário para a companhia.

O interesse da FedEx também sinaliza confiança no ambiente de negócios brasileiro, apesar da crise econômica agravada pela pandemia.

O processo legislativo e os desafios

O projeto de lei que autoriza a privatização dos Correios (PL 591/2020) está em análise na Câmara dos Deputados. O texto prevê que a União possa vender até 100% das ações da estatal, mas mantém algumas obrigações de serviço universal. O governo espera aprovar a matéria ainda em 2020, mas enfrenta resistência de partidos de oposição e de sindicatos.

Os trabalhadores dos Correios realizam greves e protestos contra a privatização, argumentando que a empresa é lucrativa e que a venda resultaria em perda de direitos e demissões. O governo rebate afirmando que a estatal precisa de investimentos que só o setor privado pode aportar.

Reações do mercado

O anúncio do ministro foi bem recebido pelo mercado financeiro. As ações das empresas de logística e varejo registraram alta no pregão desta quarta-feira. Analistas do setor avaliam que a entrada de players como Magazine Luiza e FedEx pode trazer eficiência e inovação para o serviço postal brasileiro.

No entanto, há dúvidas sobre o valor de venda e a estrutura do negócio. Especialistas consultados pelo UOL apontam que a avaliação dos Correios é complexa, devido às suas obrigações legais e à capilaridade da rede.

Perguntas frequentes sobre a privatização dos Correios

1. Por que o governo quer privatizar os Correios?

O governo argumenta que a privatização permitirá investimentos privados, modernização da gestão e redução do déficit público. A estatal acumula prejuízos e precisa de capital para se modernizar.

2. Quais empresas estão realmente interessadas?

O ministro citou Magazine Luiza e FedEx. Outras empresas do setor logístico e de tecnologia também teriam feito consultas, mas os nomes não foram confirmados oficialmente.

3. O que acontece com os funcionários dos Correios?

O governo afirma que os contratos de trabalho serão respeitados e que não haverá demissões em massa imediatas. Sindicalistas duvidam e apontam riscos de precarização.

4. Quando a privatização deve ocorrer?

A previsão do governo é que o projeto de lei seja aprovado até o fim de 2020, com o leilão ocorrendo em 2021. O cronograma, porém, depende da tramitação legislativa e de condições de mercado.

5. Como a privatização afetará o consumidor?

Se bem-sucedida, a privatização pode trazer mais eficiência e opções de serviços. No entanto, há preocupações de que tarifas aumentem em áreas menos rentáveis, como cidades pequenas e zonas rurais.