Nicolás Maduro, o líder da Venezuela, e os ministros mais importantes de seu governo estão vinculados a possíveis “Crimes contra a humanidade”, afirmou nesta quarta-feira uma missão da ONU. Foi apresentado um relatório sobre a prática sistemática de tortura e execuções extrajudiciais no país.

Os encarregados pelo texto encontraram “Motivos razoáveis para acreditar que as autoridades e as forças de segurança venezuelanas planejaram e executaram desde 2014 graves violações dos direitos humanos.”, declarou Marta Valiñas, a presidente da missão, citada em um comunicado.

“Algumas violações - incluindo execuções arbitrárias e o uso sistemático de tortura - constituem crimes contra a humanidade.”, segundo ela.

“Longe de serem atos isolados, estes crimes foram coordenados e cometidos de acordo com as políticas do Estado, com o conhecimento ou o apoio direto dos comandantes e de altos funcionários do governo.”, acrescentou Valiñas.

Os investigadores afirmaram que têm motivos para acreditar que o próprio Maduro deu ordens ao diretor da agência de inteligência do país, a Sebin, para que oponentes fossem presos sem ordem judicial.

A Venezuela vive desde 2015 uma grave crise política, que se aprofundou em 2019 quando o líder opositor e presidente do Parlamento, Juan Guaidó, se proclamou presidente encarregado do país, depois de declarar que Maduro usurpou o cargo com uma reeleição polêmica em 2018.

A missão reconhece “a natureza da crise e as tensões no país e a responsabilidade do Estado de manter a ordem pública”, mas constatou que “o governo, os agentes estatais e os grupos que trabalhavam com eles cometeram violações flagrantes dos direitos humanos de homens e mulheres na Venezuela.”

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Originalmente Publicado: 16 de Setembro de 2020 às 10:23

Fonte: Globo