Em meados de setembro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o tom de seus alertas sobre a pandemia de COVID-19. Com um recorde de mais de 300 mil novos casos registrados em um único dia em todo o mundo, a entidade manifestou preocupação com o avanço acelerado do vírus e pediu que os países não relaxassem as medidas de controle. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, foi enfático ao declarar que, embora a esperança de uma vacina estivesse no horizonte, a pandemia estava longe de terminar. O alerta soou como um sinal de que uma nova onda de contaminações já estava em curso.
O Contexto do Alerta
No dia 14 de setembro, a OMS reportou o maior número de novos casos em 24 horas desde o início da pandemia. O aumento foi puxado principalmente por países das Américas, do Sudeste Asiático e da Europa. Na Europa, o diretor regional da OMS, Hans Kluge, descreveu a situação como "muito séria", com um aumento exponencial de casos na Espanha, França, Reino Unido e Rússia. Kluge pediu que os governos europeus evitassem as armadilhas do passado e implementassem medidas direcionadas rapidamente para conter o avanço do vírus sem recorrer a lockdowns generalizados, focando em testes, rastreamento de contatos e isolamento. A França anunciou um pacote de 100 bilhões de euros para a retomada econômica, mas alertou para novas restrições localizadas. O Reino Unido, temendo uma segunda onda, instituiu a "regra dos 6" para limitar encontros sociais. Na Espanha, Madri viu seus casos dispararem, levando a um lockdown parcial em áreas mais afetadas.
A Situação na América Latina e no Brasil
O Brasil continuava a ser um dos epicentros da pandemia. Em setembro de 2020, o país se aproximava de 4,5 milhões de casos e ultrapassava 130 mil mortes. A OMS expressou preocupação com a desaceleração das taxas de testagem e a flexibilização das medidas de distanciamento social em várias cidades brasileiras. Embora algumas localidades apresentassem uma estabilização no número de casos, a organização temia que a reabertura econômica sem critérios rigorosos pudesse levar a um novo surto. O Ministério da Saúde, à época sob comando interino, era criticado pela falta de coordenação centralizada. Estados do Sul, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, registraram aceleração nas internações, pressionando a rede hospitalar. A falta de testagem em larga escala era vista como um dos principais fatores para a difícil contenção do vírus no território nacional, subnotificando o número real de casos e dificultando o rastreamento de contatos.
A Corrida contra o Tempo
Enquanto os casos voltavam a subir, a OMS anunciava progressos na iniciativa COVAX, um mecanismo global para garantir o acesso equitativo a futuras vacinas contra a COVID-19. O mecanismo já contava com a adesão de mais de 170 países e visava acelerar o desenvolvimento de vacinas, evitando o chamado "nacionalismo vacinal", que poderia prolongar a pandemia globalmente. No entanto, a organização alertou que a vacina, quando disponível, não seria uma bala de prata. "Uma vacina por si só não acabará com a pandemia", reiterou Tedros, destacando que as ferramentas de saúde pública continuariam sendo essenciais. A OMS enfatizou a importância de manter as fronteiras seguras, proteger os idosos e grupos de risco, e garantir que os sistemas de saúde tivessem capacidade de resposta para a demanda crescente.
Recomendações da OMS para a População
A OMS divulgou uma série de recomendações para a população global diante da nova onda:
- Uso consistente de máscaras em espaços públicos fechados e abertos com aglomeração.
- Higienização frequente das mãos com álcool em gel ou água e sabão.
- Manutenção do distanciamento físico de pelo menos 1 metro.
- Evitar locais com má circulação de ar e aglomerações, especialmente em ambientes fechados.
- Buscar atendimento médico ao apresentar sintomas compatíveis com a COVID-19 e realizar o isolamento imediato.
Perguntas Frequentes sobre a Nova Onda (FAQ)
O que caracterizava uma "nova onda" da COVID-19?
A OMS definiu a "nova onda" como um aumento sustentado e significativo no número de novos casos de COVID-19 em uma região ou país, após um período de declínio ou estabilidade. Este aumento sobrecarregava os sistemas de saúde e exigia uma reativação das medidas de contenção.
Por que a OMS estava tão preocupada em setembro de 2020?
A OMS estava preocupada porque o aumento de casos estava ocorrendo em várias regiões do mundo simultaneamente, o que indicava uma falha coletiva na supressão do vírus. Além disso, a proximidade do inverno no hemisfério norte levantava temores de que o vírus se propagasse ainda mais em ambientes fechados e com menor exposição solar.
Qual era a relação entre a reabertura econômica e a nova onda?
A OMS observou que muitos países flexibilizaram as restrições de lockdown cedo demais, sem terem atingido metas seguras de controle da transmissão. A retomada das atividades econômicas, combinada com a fadiga da população em relação às medidas preventivas, criou um cenário propício para o ressurgimento do vírus.
Como o Brasil se encaixava neste alerta global?
O Brasil, assim como outros países da América do Sul, estava em um momento crítico. Grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro estavam em processo de reabertura gradual, enquanto o interior do país registrava um aumento de casos. A OMS recomendou que o Brasil mantivesse uma vigilância epidemiológica robusta e garantisse que o Sistema Único de Saúde (SUS) tivesse recursos suficientes para atender à demanda, especialmente em regiões mais vulneráveis.
Fonte: UOL Notícias