Reclamou de estudos que previam tirar de pobres para bancar o tal Renda Brasil, o Bolsa Família anabolizado que ele pretendia deixar no lugar do auxílio.

E por quê? Porque a transferência de R$ 600 por cinco meses e o impacto dela na economia são a principal razão para justificar que, mesmo com a fuga de parte da classe média de sua base de apoio, sua aprovação tenha subido de 32% para 37%, segundo o Datafolha.

Com a regra do teto de gastos ainda vigente, limitando o crescimento do orçamento inflação, sua equipe tem que tirar de outra área para bancar o programa.

Ele andou treinando bastante nos últimos meses, ao repetir, de forma enganosa, que o Supremo Tribunal Federal tirou dele a responsabilidade de tocar a política para enfrentar a covid.

Mirando a conquista da base lulista e a reeleição em 2022, Bolsonaro sabe que seu futuro político depende mais de um programa de transferência de renda parrudo do que do respeito às balizas fiscais e de preocupação com o endividamento.

Ou seja, da mesma forma que deixou o trabalho pesado para prefeitos e governadores na pandemia, enquanto se divertia passeando de jet ski, promovendo aglomerações antidemocráticas e xingando jornalista, ele pode deixar o quebra-cabeça da fonte de recursos para ser resolvido pelo parlamento.

Talvez seja possível presenciar algumas mudanças em sua aprovação já nos próximos meses, considerando que a Medida Provisória que prorrogou o auxílio emergencial até o final do ano também o reduziu de R$ 600 para R$ 300.

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Originalmente Publicado: 16 de Setembro de 2020 às 05:12

Fonte: Uol.com.br