Uma mulher de 38 anos foi detida em Viena, capital da Áustria, após confessar voluntariamente à polícia que havia assassinado as três filhas pequenas. O caso, revelado neste sábado (17 de outubro de 2020), chocou o país e repercutiu internacionalmente. A suspeita se apresentou a uma delegacia na sexta-feira (16) e declarou o crime. Agentes se deslocaram ao apartamento indicado e encontraram as crianças já sem vida. As vítimas tinham 3, 6 e 9 anos.

O crime e a confissão

Segundo as autoridades, a mulher chegou à delegacia sozinha e, em estado de choque, afirmou ter matado as filhas. Os policiais seguiram imediatamente o protocolo de verificação. No apartamento, localizado num bairro residencial de Viena, encontraram os corpos das três meninas. Não havia sinais de arrombamento ou l luta, indicando que o crime ocorreu dentro do próprio lar. A suspeita foi levada sob custódia e submetida a exames médicos e avaliação psiquiátrica preliminar.

Vizinhos relataram à imprensa local que não ouviram barulhos ou discussões na véspera. A família era descrita como tranquila e reservada. A mãe, desempregada, cuidava sozinha das crianças há alguns anos, após a separação do marido. O paradeiro do pai não foi divulgado, e ele não foi localizado para comentários até o momento.

Investigação e possíveis motivações

A polícia austríaca trabalha com múltiplas linhas de investigação. A principal hipótese é que a mulher sofria de transtornos psicológicos graves, possivelmente depressão pós-parto não tratada combinada com estresse extremo. A suspeita passará por uma avaliação psiquiátrica forense detalhada para determinar sua capacidade mental no momento dos fatos. As autoridades também analisam celulares e computadores em busca de mensagens ou buscas na internet que possam esclarecer o estado emocional da acusada.

O Ministério Público de Viena acompanha o inquérito e já solicitou a prisão preventiva da suspeita. Ela permanece internada em uma unidade psiquiátrica sob vigilância. Caso seja considerada culpável, pode pegar prisão perpétua. A defesa, que ainda está sendo constituída, deverá argumentar insanidade mental como principal tese.

Reação da comunidade e comoção social

A notícia abalou profundamente o bairro onde a família vivia. Moradores organizaram uma vigília com velas e flores em frente ao prédio. “Ela sempre parecia uma boa mãe, levava as crianças à escola todos os dias. Não consigo entender o que aconteceu”, disse um vizinho ao jornal austríaco Der Standard. A escola das meninas emitiu uma nota de pesar e ofereceu apoio psicológico a alunos e funcionários.

Uma campanha de arrecadação online foi criada para cobrir as despesas funerárias. Em poucas horas, centenas de pessoas contribuíram. O caso também gerou comoção nas redes sociais, com muitas pessoas expressando tristeza e indignação. A hashtag #JustiçaParaAsCrianças chegou a ser trending topic na Áustria.

Saúde mental e prevenção da violência

Especialistas ouvidos pela imprensa reforçam a importância de políticas públicas de saúde mental e de apoio à parentalidade. O caso reacendeu o debate sobre a falta de acompanhamento psicológico acessível para mães em situação de vulnerabilidade. Abaixo, alguns pontos destacados por profissionais:

O governo austríaco afirmou que está revisando os protocolos de assistência psicológica materno-infantil, mas não anunciou mudanças concretas até o momento.

O cenário jurídico na Áustria

A Áustria possui uma das menores taxas de homicídio do mundo — cerca de 150 assassinatos por ano, segundo dados da ONU. Crimes envolvendo múltiplas vítimas infantis são extremamente raros. O filicídio (pais que matam os próprios filhos) responde por uma fração ínfima desses casos. A legislação austríaca prevê penas severas, incluindo prisão perpétua para homicídios qualificados, mas também permite a aplicação de medidas de segurança para pessoas consideradas inimputáveis por transtorno mental. O julgamento da suspeita deverá ocorrer após a conclusão dos laudos psiquiátricos, o que pode levar meses.

Perguntas frequentes sobre o caso

1. A suspeita já foi formalmente acusada?

Sim. Ela foi detida em flagrante após a confissão e permanece sob custódia. O Ministério Público apresentou pedido de prisão preventiva, e a acusação formal (Anklage) deve ser protocolada assim que a investigação for concluída.

2. Qual a idade exata das vítimas?

As crianças tinham 3, 6 e 9 anos. Todas moravam com a mãe no mesmo apartamento em Viena.

3. O pai das crianças foi localizado?

Até o momento, não há informações oficiais sobre o paradeiro ou a participação do pai. A polícia tenta contatá-lo para prestar depoimento.

4. Existe histórico de violência doméstica?

Segundo vizinhos e registros iniciais da polícia, não havia denúncias anteriores de violência na família. A delegacia local afirma que o caso era desconhecido antes da confissão.

5. Como posso ajudar as famílias em situação de risco?

No Brasil, existem canais como o Disque 100 (Direitos Humanos) e o Centro de Valorização da Vida (CVV – 188). A doação para organizações que atuam com saúde mental e proteção infantil também é uma forma de contribuir.