Os bolivianos voltam às urnas neste domingo (18 de outubro de 2020) para eleger o novo presidente e vice-presidente, além de senadores e deputados. As eleições gerais acontecem em meio à crise política desencadeada pela renúncia de Evo Morales em novembro de 2019 e pelas acusações de fraude nas eleições anuladas daquele ano. A votação é considerada um teste crucial para a democracia no país.
O contexto da crise política de 2019
O pleito deste domingo foi convocado após a anulação das eleições de 2019, que deram a vitória a Evo Morales no primeiro turno, mas foram contestadas por indícios de irregularidades apontados pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Após semanas de protestos e a pressão das Forças Armadas, Morales renunciou ao cargo e deixou a Bolívia, recebendo asilo no México. A então senadora Jeanine Áñez assumiu o governo interino com a missão de organizar novas eleições.
O período de transição foi marcado por intensa polarização política e social. O governo interino enfrentou protestos de apoiadores do MAS e críticas pela forma como conduziu a crise. Em contrapartida, setores da oposição elogiaram a postura de Áñez em garantir a convocação de novas eleições. A tensão se estendeu até a campanha eleitoral.
Os principais candidatos
Luis Arce (MAS): O principal candidato na disputa é Luis Arce, do Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Evo Morales. Ex-ministro da Economia, Arce é economista de formação e foi um dos arquitetos do crescimento econômico boliviano durante o ciclo de alta das commodities. Sua campanha promete dar continuidade às políticas sociais e econômicas do governo Morales, com um discurso de moderação e diálogo. Ele tem como vice o ex-chanceler David Choquehuanca.
Carlos Mesa (Comunidad Ciudadana): Historiador e ex-presidente da Bolívia (2003-2005), Mesa é o principal nome da oposição moderada. Sua campanha foca na defesa da democracia, no combate à corrupção e na necessidade de reconstruir as instituições do país. Ele tenta atrair eleitores insatisfeitos com o MAS, mas que também criticam a gestão de Áñez.
Luis Fernando Camacho (Creemos): Governador de Santa Cruz, Camacho representa a ala mais conservadora. Ele ganhou projeção nacional ao liderar os protestos contra Evo Morales em 2019. Seu discurso é de mudança radical e promete combater o que chama de narcotráfico e corrupção no país.
O sistema eleitoral e as regras do jogo
O sistema eleitoral boliviano prevê a eleição direta do presidente e vice-presidente em chapa única. Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa obter mais de 50% dos votos válidos, ou pelo menos 40% com uma diferença de 10 pontos percentuais sobre o segundo colocado. Caso contrário, os dois candidatos mais votados disputam um segundo turno em 28 de novembro. As pesquisas indicam que Luis Arce lidera com vantagem, mas ainda existe a possibilidade de um segundo turno.
A pandemia e os desafios econômicos
A pandemia de Covid-19 adicionou uma camada extra de complexidade ao processo eleitoral. A campanha foi marcada por restrições, comícios virtuais e a adoção de protocolos sanitários rigorosos para o dia da votação, incluindo o uso obrigatório de máscaras e distanciamento social nos locais de votação. A economia boliviana, duramente impactada pela pandemia e pela queda nos preços do gás natural, é a principal preocupação dos eleitores. A retomada do crescimento, a geração de empregos e o fortalecimento do sistema de saúde são demandas urgentes.
Acompanhamento internacional
A comunidade internacional acompanha a eleição com grande interesse. Os Estados Unidos, que reconheceram o governo interino de Jeanine Áñez, indicaram que respeitarão o resultado das urnas. A União Europeia e a OEA enviaram missões de observação eleitoral para monitorar o processo. O resultado terá implicações para toda a região, especialmente para as relações com Argentina, Brasil e Colômbia. A votação ocorre de forma tranquila na maior parte do país, com filas organizadas e respeito às medidas sanitárias.
Perguntas frequentes sobre as eleições na Bolívia
Por que novas eleições foram convocadas? As eleições de 2019 foram anuladas devido a denúncias de fraude e à crise política que se seguiu, resultando na renúncia de Evo Morales.
Quem são os principais candidatos? Luis Arce (MAS), Carlos Mesa (Comunidad Ciudadana) e Luis Fernando Camacho (Creemos).
Quando serão conhecidos os resultados? A apuração começa após o fechamento das urnas, às 17h (horário local). Resultados preliminares podem sair ainda na noite de domingo.
Qual a importância da eleição para a região? A Bolívia é um importante produtor de gás natural e possui grandes reservas de lítio, recursos estratégicos para a transição energética global.