Morador de Rio das Pedras há mais de cinco décadas, X. viu a milícia nascer na comunidade de Jacarepaguá, em meados dos anos 1990, com um discurso radical contra as drogas.

Agora, se vê diante de um fato novo, na contramão de tudo que sempre acompanhou de perto: um acordo permitiu que o tráfico se instale num trecho às margens da Lagoa da Tijuca, conhecido como Areal.

Relatos sobre o ponto de venda de drogas já chegaram ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público estadual.

O subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil, delegado Rodrigo Oliveira, afirma que a maioria das milícias tem hoje algum tipo de associação com o tráfico.

Para especialistas em segurança, a união dos dois lados já contaminou todas as áreas dominadas por paramilitares, que ocupam 25% do território da cidade do Rio, segundo uma recente pesquisa do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, do Disque-Denúncia e das plataformas Fogo Cruzado e Pista News.

Em 2008, quando não se falava nesse tipo união, a CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio levantou que paramilitares atuavam em 160 localidades.

Leia mais e entenda a atuação das narcomilícias, e a linha do tempo dos grupo paramilitares no Rio.

Este artigo foi resumido em 36%

Originalmente Publicado: 25 de Outubro de 2020 às 03:30

Fonte: Globo