Lee Kun-hee, chairman emérito da Samsung, morreu neste domingo (25) aos 78 anos. O executivo estava hospitalizado desde maio de 2014, quando sofreu um ataque cardíaco e passou a receber tratamento intensivo. A informação foi confirmada pela empresa em comunicado oficial.

Sob sua liderança, a Samsung transformou-se de um fabricante de produtos eletrônicos de baixo custo em uma das maiores e mais inovadoras empresas de tecnologia do mundo, com presença dominante em semicondutores, telas, smartphones e eletrodomésticos. Seu legado é comparado ao de grandes nomes como Steve Jobs e Akio Morita, tamanho o impacto na indústria global.

Primeiros anos e formação

Nascido em 9 de janeiro de 1942 em Daegu, Coreia do Sul, Lee Kun-hee era o terceiro filho de Lee Byung-chul, fundador do Grupo Samsung. Ainda jovem, foi enviado ao Japão para estudar, formando-se em economia pela Universidade Waseda. Posteriormente, concluiu um MBA na Universidade George Washington, nos Estados Unidos. Essa formação internacional moldou sua visão de negócios e o preparou para assumir o comando do conglomerado.

Ascensão ao comando da Samsung

Em 1987, após a morte de seu pai, Lee assumiu a presidência do Grupo Samsung. Na época, a empresa era conhecida por fabricar produtos baratos e por vezes imitar tecnologias de concorrentes japoneses e americanos. Lee decidiu que era hora de mudar radicalmente essa percepção. Ele acreditava que a única forma de competir no mercado global era investir em qualidade, design e inovação próprias.

A revolução da qualidade

Em 1993, durante uma visita a uma fábrica na China, Lee ficou profundamente insatisfeito com a qualidade dos produtos. Naquele ano, lançou a campanha "Nova Gestão" (New Management), que pregava uma transformação radical na cultura corporativa. Em um episódio que se tornou lendário, ele ordenou que 150 mil aparelhos de fax e telefones defeituosos fossem queimados em uma fogueira na frente de funcionários, simbolizando o compromisso absoluto com a excelência.

A partir dali, a Samsung passou a investir pesadamente em pesquisa e desenvolvimento, design industrial e inovação de processos. A empresa tornou-se líder global em memórias RAM e NAND, telas OLED e LED, televisores e, mais tarde, smartphones com a linha Galaxy. A participação em componentes também cresceu: a Samsung se tornou fornecedora essencial para concorrentes como Apple e Sony.

Expansão global e domínio tecnológico

Sob sua gestão, a Samsung diversificou-se em várias frentes: semicondutores, construção naval, biotecnologia, seguros e muito mais. No setor de tecnologia, destacam-se os seguintes marcos:

  • 1990s: Liderança mundial em memórias DRAM e SRAM, ultrapassando concorrentes japonesas.
  • 2000s: Lançamento da linha Galaxy S (2010), que se tornou a principal rival do iPhone e consolidou a Samsung como maior fabricante de smartphones do mundo.
  • 2010s: Domínio na produção de telas OLED, fornecendo para a própria Apple e outras marcas.
  • 2017: Tornou-se a maior fabricante de chips do mundo, superando a Intel em receita.

A Samsung também se tornou um dos maiores conglomerados sul-coreanos (chaebol), respondendo por cerca de 20% do PIB da Coreia do Sul e empregando centenas de milhares de pessoas globalmente.

Controvérsias e questões legais

Lee Kun-hee também enfrentou momentos polêmicos. Em 2008, foi condenado por sonegação fiscal e evasão de divisas, recebendo uma sentença de três anos de prisão suspensa. Em 2009, recebeu perdão presidencial, permitindo que continuasse à frente da Samsung durante a campanha da Coreia do Sul para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2018. O caso gerou debate sobre o poder dos chaebols e a leniência da justiça sul-coreana com grandes empresários.

Outros episódios envolveram acusações de suborno e corrupção, que afetaram também seu filho e sucessor, Jay Y. Lee. Apesar das controvérsias, a opinião pública sul-coreana tende a reconhecer o papel de Lee Kun-hee no desenvolvimento econômico do país.

Problemas de saúde e sucessão

Lee Kun-hee sofreu um ataque cardíaco em maio de 2014, sendo hospitalizado e permanecendo em tratamento até sua morte. Durante esse período, seu filho Lee Jae-yong (Jay Y. Lee) assumiu gradualmente as operações diárias da Samsung, sendo considerado o herdeiro natural. A sucessão foi oficializada nos anos seguintes, com Jay Y. Lee tornando-se vice-presidente e líder efetivo do grupo.

Legado e impacto na Coreia do Sul

A morte de Lee Kun-hee marca o fim de uma era. Ele transformou a Samsung de uma empresa local em uma gigante global, símbolo do "milagre econômico" sul-coreano. Seu estilo de gestão era conhecido por ser exigente e por vezes excêntrico, mas sempre focado em inovação e qualidade. A Samsung não é apenas uma empresa; é uma instituição nacional que representa a Coreia do Sul no cenário mundial.

O governo sul-coreano e líderes empresariais de todo o mundo prestaram homenagens. O presidente Moon Jae-in destacou que "Lee Kun-hee personificou a tenacidade e o espírito inovador que fizeram da Coreia do Sul uma potência econômica".

Principais contribuições de Lee Kun-hee

  • Transformação da Samsung em líder global de semicondutores e telas.
  • Criação da marca Galaxy, que popularizou os smartphones Android premium.
  • Foco em inovação: a Samsung tornou-se uma das empresas que mais depositam patentes no mundo.
  • Construção de uma cultura corporativa de qualidade e melhoria contínua.
  • Contribuição para o crescimento do PIB sul-coreano e projeção internacional do país.

Perguntas frequentes

Quem sucederá Lee Kun-hee no comando da Samsung?
Seu filho Lee Jae-yong (Jay Y. Lee) já vinha atuando como líder efetivo do grupo desde 2014 e é o sucessor natural, embora ainda precise consolidar o controle contra desafios legais.

Qual era o patrimônio de Lee Kun-hee?
Lee Kun-hee era uma das pessoas mais ricas da Coreia do Sul. Sua fortuna era estimada em mais de US$ 20 bilhões, proveniente de suas participações nas diversas empresas do Grupo Samsung.

Como a Samsung deve mudar após sua morte?
A empresa deve continuar sua estratégia de crescimento e inovação, mas sob a liderança de Jay Y. Lee, que pode adotar um estilo de gestão mais moderno e em linha com as exigências de governança global.

O que acontece com as ações da Samsung?
O mercado financeiro reagiu com cautela, mas analistas apontam que a estrutura de governança já estava preparada para a transição. A longo prazo, a influência da família pode diminuir com reformas societárias.