Faltando exatamente uma semana para as eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2020, as pesquisas de intenção de voto divulgadas nesta terça-feira (28 de outubro) indicam que o candidato democrata Joe Biden mantém uma vantagem consistente em âmbito nacional, embora a disputa nos estados-pêndulo (swing states) permaneça tecnicamente acirrada dentro das margens de erro. O cenário é de alta polarização, participação recorde no voto antecipado e definição de temas como pandemia e economia.
Cenário nacional: Biden mantém vantagem estável
Segundo a média de pesquisas nacionais compiladas por institutos como RealClearPolitics e FiveThirtyEight, Biden liderava com aproximadamente 8 a 10 pontos percentuais de vantagem sobre Donald Trump. Levantamentos da CNN, NBC News/Wall Street Journal e ABC News/Washington Post mostravam números consistentes, com Biden oscilando entre 50% e 52% das intenções de voto contra 42% a 44% de Trump. A vantagem democrata era impulsionada principalmente pelo forte apoio entre mulheres, eleitores jovens, negros e hispânicos, além de uma parcela significativa de eleitores brancos com ensino superior.
Analistas apontavam que a margem nacional, embora confortável, não era garantia de vitória no Colégio Eleitoral, dado o peso dos estados indecisos. Trump buscava repetir o cenário de 2016, quando perdeu o voto popular mas venceu nos estados-pêndulo.
Estados-pêndulo: a batalha real da eleição
Se as pesquisas nacionais eram animadoras para Biden, o cenário nos estados indecisos era de cautela. Biden mantinha vantagem na Pensilvânia, Michigan e Wisconsin — estados que Trump havia conquistado em 2016 e que seriam cruciais para a reeleição. A liderança democrata nesses estados era estreita, dentro da margem de erro em alguns levantamentos, mas consistente ao longo das semanas.
Na Flórida, o cenário era de empate técnico, com ambos os candidatos numericamente empatados. Carolina do Norte e Arizona também estavam na berlinda, com ligeira vantagem para Biden, mas dentro da margem de erro. No Meio-Oeste, Ohio e Iowa pendiam ligeiramente para Trump, mas ainda eram considerados competitivos.
Especialistas destacavam que a pandemia tornava a logística de votação mais complexa nesses estados, com disputas judiciais sobre prazos para votos pelo correio e exigências de testemunhas.
Pandemia versus economia: o tema central da reta final
A pandemia de COVID-19 continuava sendo o tema central da eleição. Pesquisas indicavam que os eleitores confiavam mais em Biden para lidar com a crise de saúde pública, enquanto Trump mantinha vantagem na gestão da economia. A insatisfação com a condução da pandemia era um dos principais fatores que impulsionavam a vantagem de Biden: pesquisas de aprovação mostravam que cerca de 55% a 60% dos eleitores desaprovavam a gestão de Trump na crise sanitária.
Trump, por sua vez, intensificava o discurso de reabertura econômica e minimizava a gravidade do vírus, tentando reter o apoio de sua base e conquistar eleitores preocupados com o desemprego e a retomada dos negócios.
Nomeação de Barrett e o último debate
A confirmação relâmpago da juíza Amy Coney Barrett para a Suprema Corte dos EUA, ocorrida apenas dias antes da eleição, agitou a reta final da campanha. Enquanto Trump celebrava a conquista conservadora, Biden alertava para os riscos à cobertura de saúde (Obamacare) e aos direitos civis, mobilizando sua base.
O último debate presidencial, realizado em 22 de outubro, não alterou significativamente o cenário das pesquisas. Biden foi visto como um debatedor estável, enquanto Trump adotou um tom mais moderado do que no primeiro debate, mas sem conseguir reverter a desvantagem nos estados-chave. Os temas mais discutidos foram pandemia, economia, imigração e política externa.
Participação recorde e voto antecipado
Um dos sinais mais claros do alto engajamento eleitoral era o número recorde de votos antecipados. Até 28 de outubro, mais de 60 milhões de americanos já haviam votado, seja pelo correio ou presencialmente, superando todos os recordes históricos. Especialistas apontavam que a alta participação poderia beneficiar Biden, já que eleitores democratas eram mais propensos a votar pelo correio, enquanto a campanha de Trump buscava reverter essa vantagem no dia da eleição com forte operação de ground game nos estados-pêndulo.
Perguntas frequentes sobre as pesquisas
Quem liderava as pesquisas nacionais uma semana antes da eleição de 2020?
Joe Biden liderava as pesquisas nacionais com uma vantagem média de 8 a 10 pontos percentuais sobre Donald Trump.
Quais estados-pêndulo eram considerados os mais importantes?
Os estados mais disputados eram Pensilvânia, Michigan, Wisconsin, Flórida, Carolina do Norte, Arizona e Geórgia.
Como a pandemia influenciou as pesquisas?
A pandemia foi o tema central. A desaprovação da gestão de Trump na crise sanitária impulsionou o voto em Biden entre eleitores moderados e independentes.
Quantas pessoas já tinham votado de forma antecipada até 28 de outubro?
Mais de 60 milhões de americanos já haviam votado de forma antecipada, um recorde histórico para uma eleição presidencial nos Estados Unidos.
Fonte: Jornal O Globo | Astratu