“Essa votação reflete essa divisão. Não só que 80% do país a favor de fazer mudanças e há uma parcela de 20% que resiste, mas além disso: esse voto contrário está superconcentrado em uma única parte do país, em três comunas da região metropolitana onde estão o poder político e econômico. Onde estão as elites.”

O triunfo do “Aprovo” interpretado por muitos como a vitória das reivindicações cidadãs que eclodiram nos protestos de outubro de 2019 e que desde então pedem mudanças estruturais e profundas.

“Há dois universos aqui. Tudo funciona de maneira diferente e as pessoas não se misturam. Ninguém quer fazer muitas mudanças”, disse BBC News Mundo S.L., uma mulher de 40 anos que nasceu, foi educada e vive em Vitacura.

E ainda que a moradora de Vitacura entrevistada pela BBC News Mundo tenha ela votado em “Aprovo”, ela teve dúvidas e percebeu que em seu entorno social e profissional todos votaram contra uma nova Constituição.

Ela destaca também a preocupação das pessoas que conhece com mudanças no regime de “Propriedade privada e do sistema tributário, que tem a ver com as aposentadorias”.

“A eclosão social tem muitas leituras e ingredientes, mas eu diria que há uma coisa muito evidente - a manifestação ou ilusão de uma cidadania emergente que questiona sua relação justamente com as elites, com os governantes.”

E, segundo Pérez Silva, os resultados do plebiscito são uma “Interpelação” justamente elite que se recusa a perder seus privilégios para que haja uma “Redistribuição de riquezas, oportunidades, educação, saúde, pensões etc.”

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Originalmente Publicado: 27 de Outubro de 2020 às 17:03

Fonte: BBC News