Os protestos maciços contra a decisão judicial que, na prática, bane o aborto legal na Polônia ingressaram nesta terça-feira em seu sexto dia sem quaisquer sinais de que perderão intensidade.

Pelo contrário, há mais de 150 manifestações marcadas para os próximos dias, em mobilização que engloba diferentes setores da população e pega de surpresa o governo do ultraconservador Partido Lei e Justiça, que busca avançar sua agenda cristã e nacionalista.

A legislação, que já era uma das mais restritivas de toda a União Europeia, agora torna-se ainda mais limitada: apenas gestações causadas por estupro e incesto ou que ponham a vida da mulher em risco poderão ser legalmente interrompidas.

O aumento do controle sobre o Judiciário e sobre o Tribunal Constitucional elemento-chave desse processo, que já levou a União Europeia a entrar com ações contra o governo do PiS em instâncias do bloco.

O governo parece ter apostado que a segunda onda da Covid-19 limitaria protestos contra a controversa medida e, ao mesmo tempo, desviaria o foco de sua criticada resposta ao aumento dos casos do coronavírus, mas não foi isso que aconteceu.

Não são só mulheres que participam, mas homens também - disse ao GLOBO Marta Kotwas, pesquisadora do Centro de Estudos Eslavos e da Europa Oriental do Colégio Universitário de Londres, ressaltando que não se trata de um movimento exclusivamente feminino.

Outra razão que garante sua posição direita, adotando ações de atores políticos que são mais conservadores para que não haja uma oposição direita mais extrema - disse a pesquisadora, apontando que a Confederação para a Liberdade e para a Independência, sigla de extrema direita, também favorável a leis mais duras contra o aborto.

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Originalmente Publicado: 27 de Outubro de 2020 às 22:03

Fonte: Globo