Resumo: Um incêndio de grandes proporções atingiu o Hospital Geral de Bonsucesso (HGB), na Zona Norte do Rio de Janeiro, na manhã do dia 28 de outubro de 2020. O fogo, que teve início no terceiro andar da unidade, onde funcionava a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) dedicada a pacientes com Covid-19, resultou na morte de três pacientes. Duas das vítimas eram mulheres diagnosticadas com a doença. O incidente gerou comoção e reacendeu o debate sobre a segurança da infraestrutura hospitalar brasileira durante a pandemia.

O Incêndio

As chamas começaram por volta das 9h da manhã, se alastrando rapidamente pelo andar da UTI. A densa fumaça tomou conta dos corredores, obrigando a evacuação emergencial de dezenas de pacientes. Equipes do Corpo de Bombeiros foram rapidamente acionadas e montaram uma grande operação de combate ao fogo e resgate. Pacientes em estado crítico, muitos deles intubados, foram removidos com extrema dificuldade pelas equipes médicas e de enfermagem, que atuaram heroicamente para salvar o maior número de vidas possível. As ruas no entorno do hospital foram isoladas para viabilizar o trabalho das viaturas e ambulâncias. O cenário foi de pânico e correria, mas a rápida resposta das equipes de emergência evitou uma tragédia ainda maior.

As Vítimas

As três vítimas fatais estavam internadas em estado grave. Duas delas eram pacientes da UTI Covid-19, mulheres que dependiam de ventilação mecânica para sobreviver. A terceira vítima era um paciente idoso que estava internado em um leito de enfermaria nas proximidades do foco inicial do incêndio. A rápida propagação das chamas e a intoxicação pela fumaça impossibilitaram o resgate a tempo. A identidade das vítimas foi preservada inicialmente pelas autoridades hospitalares, que aguardavam a confirmação do óbito e a comunicação oficial aos familiares. Além dos óbitos, outros pacientes e profissionais de saúde sofreram ferimentos leves por inalação de fumaça, sendo prontamente atendidos no local.

Contexto da Pandemia e Sobrecarga do Sistema de Saúde

Em outubro de 2020, o Brasil vivia um dos momentos mais críticos da pandemia de Covid-19. O sistema de saúde pública, especialmente no Rio de Janeiro, operava sob imensa pressão, com hospitais superlotados e uma força de trabalho médica completamente exausta. O Hospital Geral de Bonsucesso, uma das principais referências para a população da Zona Norte e Baixada Fluminense, não era exceção. Sua UTI havia sido expandida às pressas nos meses anteriores para atender a demanda crescente de pacientes críticos. Isso envolveu a instalação de novos respiradores, monitores e bombas de infusão em áreas que não foram originalmente projetadas para suportar a carga elétrica e a complexidade logística de uma terapia intensiva. Especialistas em segurança hospitalar apontam que este contexto de improvisação técnica e sobrecarga do sistema pode ter sido um fator determinante para a gravidade do sinistro.

Investigação e a Segurança Contra Incêndios em Hospitais

As causas do incêndio foram rigorosamente investigadas pela Polícia Civil, Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela própria Secretaria Municipal de Saúde. A principal hipótese, confirmada pelos peritos, foi a de um curto-circuito causado por sobrecarga na rede elétrica do andar da UTI. A tragédia expôs de forma brutal as fragilidades na manutenção predial e na segurança contra incêndios em unidades de saúde do país. Diferente de edifícios comerciais ou residenciais, hospitais — especialmente UTIs — apresentam desafios únicos de evacuação. Pacientes sedados, intubados e conectados a dezenas de equipamentos não podem ser removidos rapidamente. Por isso, as normas técnicas brasileiras (como as NBR 9077 e 14432) exigem sistemas rigorosos de prevenção, como compartimentação corta-fogo, sprinklers automáticos e saídas de emergência dimensionadas para leitos. Após o incidente, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ) anunciou a realização de vistorias técnicas em outras grandes unidades de saúde do estado para verificar a conformidade com as normas de segurança, um tema recorrente em nossa cobertura de Sociedade.

Perguntas Frequentes sobre o Incêndio no HGB

O que causou o incêndio no Hospital Geral de Bonsucesso?

De acordo com a conclusão das investigações, a causa mais provável foi um curto-circuito na rede elétrica do terceiro andar, onde funcionava a UTI Covid-19. A sobrecarga no sistema elétrico foi atribuída à instalação emergencial de diversos equipamentos médicos de alto consumo durante a pandemia, sem a devida adaptação da infraestrutura elétrica do prédio.

Quantas vítimas o incêndio deixou?

O incêndio resultou na morte de três pacientes que estavam internados na unidade hospitalar. Duas das vítimas eram mulheres com diagnóstico confirmado de Covid-19 que estavam internadas na UTI respiratória. A terceira vítima era um paciente idoso que ocupava um leito na enfermaria, localizada no mesmo andar do foco do incêndio.

O que aconteceu com os outros pacientes do hospital?

A grande maioria dos pacientes foi evacuada com sucesso pelas equipes de plantão e pelos bombeiros. Os pacientes da UTI que sobreviveram ao incêndio foram urgentemente transferidos para outras unidades de saúde da região metropolitana do Rio de Janeiro para darem continuidade ao tratamento intensivo. O hospital precisou fechar parcialmente as suas atividades por vários dias para a realização de reparos estruturais e da perícia técnica.

Houve responsabilização pelo ocorrido?

Sim. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) instaurou um inquérito civil e criminal para apurar as responsabilidades pelo incêndio e pelas mortes. A Defensoria Pública do Estado também anunciou a intenção de buscar indenizações por danos morais e materiais para as famílias das vítimas, visando a responsabilização civil do Estado do Rio de Janeiro pela falha na prestação do serviço público de saúde e na manutenção das condições de segurança da unidade hospitalar.