O Amapá completa neste sábado (21) o 19º dia consecutivo de apagão, com a expectativa de que 100% da energia elétrica seja restabelecida nos próximos dias. O presidente Jair Bolsonaro visita o estado para acompanhar as obras de recuperação do sistema elétrico, que foi danificado por um incêndio em uma subestação no início do mês. Mais de 700 mil pessoas foram afetadas pela crise energética, considerada uma das mais longas da história recente do Brasil.
Como começou o apagão
O apagão no Amapá começou no dia 3 de novembro de 2020, quando um incêndio de grandes proporções atingiu a subestação da Linha de Transmissão de Macapá, danificando três transformadores e interrompendo o fornecimento de energia para a maior parte do estado. A subestação é responsável por receber e distribuir a energia gerada pela hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, para todo o estado amapaense. O fogo destruiu equipamentos essenciais e comprometeu a capacidade de transmissão, deixando o sistema em estado crítico.
Situação no 19º dia
No 19º dia da crise, cerca de 90% da carga de energia já havia sido restabelecida, mas algumas áreas ainda enfrentavam rodízio e instabilidade no fornecimento. A empresa distribuidora trabalhou na instalação de transformadores provisórios e na recomposição do sistema, mas a população de Macapá e de outros municípios continuava a enfrentar dificuldades. Bairros inteiros permaneciam às escuras por parte do dia, e o rodízio era uma realidade para milhares de famílias.
Os técnicos envolvidos na recuperação afirmaram que a substituição dos equipamentos danificados era complexa e exigia logística especializada, já que os transformadores de grande porte precisaram ser transportados de outros estados. A expectativa era de que, com a conclusão dos reparos, o sistema pudesse operar em capacidade total nos dias seguintes.
Visita de Bolsonaro ao Amapá
O presidente Jair Bolsonaro chegou ao Amapá neste sábado acompanhado dos ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno. A comitiva sobrevoou as áreas afetadas e visitou a subestação danificada para avaliar os trabalhos de reparo. Bolsonaro afirmou que o governo federal está empenhado em resolver a situação o mais rápido possível e que todas as medidas necessárias estavam sendo tomadas para normalizar o fornecimento.
A visita presidencial ocorreu em meio a pressões políticas e sociais. Governadores e parlamentares da região cobravam do governo federal uma ação mais enérgica, e a visita foi vista como uma tentativa de demonstrar compromisso com a solução da crise. Durante a passagem pelo estado, Bolsonaro também se reuniu com autoridades locais e recebeu atualizações técnicas sobre o cronograma de restabelecimento.
Impacto na população
O apagão afetou severamente a vida dos amapaenses. Hospitais precisaram utilizar geradores para manter os serviços essenciais funcionando, incluindo unidades de terapia intensiva e salas de cirurgia. Escolas suspenderam as aulas presenciais, e o comércio registrou perdas significativas com a deterioração de alimentos perecíveis e a paralisação das atividades.
A falta de energia também comprometeu o abastecimento de água, já que as estações de bombeamento ficaram inoperantes. A população teve que buscar água em pontos de distribuição improvisados pela defesa civil e pelo exército. Relatos de moradores indicavam que a situação era insustentável para famílias de baixa renda, que não tinham condições de comprar geradores ou grandes volumes de água mineral.
Protestos e saques
A insatisfação da população resultou em protestos em Macapá e em outras cidades. Moradores bloquearam ruas e realizaram manifestações em frente à sede da distribuidora de energia, exigindo soluções imediatas e responsabilização pelos prejuízos. Houve também saques a estabelecimentos comerciais e supermercados, especialmente nos primeiros dias do apagão, quando a situação era mais crítica e não havia previsão de restabelecimento.
As forças de segurança foram mobilizadas para conter os distúrbios e garantir a ordem pública. Toques de recolher chegaram a ser adotados em algumas áreas, e o governo estadual solicitou apoio da Força Nacional para reforçar o policiamento.
Prejuízos econômicos
O setor comercial e de serviços foi duramente atingido. Pequenos e médios empresários contabilizaram perdas com a deterioração de alimentos, a interrupção das atividades e a necessidade de adquirir geradores para funcionar. A estimativa é que os prejuízos econômicos tenham chegado a milhões de reais. Supermercados, padarias, restaurantes e farmácias foram alguns dos estabelecimentos mais afetados.
A indústria local também parou, e o setor de serviços enfrentou uma queda drástica no faturamento. Muitos trabalhadores informais perderam dias de trabalho, agravando a situação econômica já difícil em meio à pandemia de Covid-19.
Medidas do governo e soluções
O governo federal enviou equipes técnicas, geradores e equipamentos para ajudar na recuperação do sistema elétrico. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou medidas para fiscalizar a atuação da distribuidora e garantir a compensação dos consumidores pelos dias sem energia. A distribuidora responsável, que enfrenta críticas pela demora na solução, anunciou planos de desconto na fatura para os clientes afetados.
O episódio levantou debates sobre a necessidade de diversificação da matriz energética do estado e de investimentos em infraestrutura para evitar novos colapsos. Especialistas apontaram que a dependência de uma única linha de transmissão tornava o sistema vulnerável e que eram necessárias alternativas para garantir a segurança energética da região.
Perguntas frequentes sobre o apagão no Amapá
Quando começou o apagão no Amapá?
O apagão começou no dia 3 de novembro de 2020, após um incêndio na subestação de Macapá.
O que causou o apagão?
Um incêndio de grandes proporções danificou três transformadores na subestação da Linha de Transmissão de Macapá, interrompendo o fornecimento de energia para a maior parte do estado.
Quantas pessoas foram afetadas?
Mais de 700 mil pessoas em todo o estado do Amapá foram diretamente afetadas pela falta de energia elétrica.
Quando a energia voltou completamente?
A normalização total do fornecimento ocorreu de forma gradual nas semanas seguintes, com o sistema operando em capacidade plena após a conclusão dos reparos na subestação.
O que o governo fez para resolver a situação?
O governo federal enviou equipes técnicas e equipamentos, a Aneel fiscalizou a atuação da distribuidora, e o presidente Bolsonaro visitou o estado para acompanhar os trabalhos de recuperação.