No final de novembro de 2020, o Brasil acompanhava de perto o avanço dos estudos das principais vacinas contra a Covid-19, que entravam na reta final dos testes. O governo federal negociava a aquisição de centenas de milhões de doses. Confira o resumo do que se sabia sobre os principais imunizantes candidatos na época.
CoronaVac (Sinovac/Butantan)
Resultado de uma parceria entre a farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantan, a CoronaVac utiliza a tecnologia clássica de vírus inativado. Os testes de fase 3 no Brasil envolveram 13 mil voluntários. Sua eficácia global foi de 50,38%, mas subia para 78% contra casos leves e 100% contra casos graves. A grande vantagem era a logística: podia ser mantida em geladeiras comuns (2°C a 8°C).
Vacina de Oxford/AstraZeneca (Fiocruz)
Desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca, e produzida no Brasil pela Fiocruz, esta vacina usa um adenovírus de chimpanzé. Os estudos apontaram uma eficácia média de 70,4% após duas doses. Um subgrupo que recebeu meia dose seguida de uma dose cheia atingiu 90% de eficácia. O armazenamento era em refrigeração comum (2°C a 8°C).
Pfizer/BioNTech
Pioneira na tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), a vacina da Pfizer apresentou eficácia de 95% nos testes. O maior desafio era a conservação: necessitava de ultracongelamento a -70°C, o que exigia investimentos em infraestrutura logística específica para sua distribuição no Brasil.
Sputnik V (Gamaleya)
Criada pelo Instituto Gamaleya, da Rússia, a Sputnik V utiliza adenovírus humanos (Ad26 e Ad5). A eficácia reportada foi de 91,6%. O Brasil negociava a importação de doses, mas a falta de dados completos submetidos à Anvisa e os requisitos regulatórios eram os principais entraves para a aprovação emergencial naquele momento.
Janssen (Johnson & Johnson)
Com a vantagem de ser aplicada em dose única, a vacina da Janssen utiliza o adenovírus humano Ad26. A eficácia geral foi de 66%, mas de 85% contra casos graves e 100% contra hospitalizações e mortes. O armazenamento era em refrigeração padrão (2°C a 8°C) por até três meses, o que facilitava a logística.
O Brasil, por meio do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estabeleceu os critérios para o uso emergencial e o registro definitivo das vacinas. A vacinação em massa começou em janeiro de 2021, com as primeiras doses sendo aplicadas em grupos prioritários, iniciando a maior campanha de imunização da história do país.
Fonte: G1