Durante mais de seis décadas, dos anos 1950 a 2018, a empresa de criptografia suíça Crypto AG forneceu a 120 países do mundo aparelhos de comunicação secreta, sem nunca revelar que tinha vínculos com a CIA. Enquanto chefes de Estado, líderes militares e diplomatas trocavam mensagens de alta importância estratégica acreditando estar em sigilo, na verdade eram espionados por agentes americanos e, na maior parte do tempo, por seus parceiros alemães.

A Marinha, o Exército e o Itamaraty estiveram entre os clientes da empresa, mostram documentos inéditos descobertos por pesquisadores brasileiros e repassados ao GLOBO. Começando na década de 1950 e indo pelo menos até dezembro de 2019 - um ano depois de a Crypto AG mudar de mãos - órgãos de Estado do Brasil pagaram por equipamentos e serviços de comunicação secreta de uma empresa que, durante décadas, era na realidade controlada por serviços de inteligência dos Estados Unidos.

Sabe-se que um destino dos dispositivos são os submarinos de propulsão convencional em desenvolvimento, que aparecem nominalmente listados em várias notas, incluindo uma de 25 de novembro de 2019, no valor de R$ 113.415,82, para atualização do software que opera no sistema do dispositivo HC-2650.

O seu sistema de comunicação pode estar corrompido e vulnerável interceptação estrangeira antes de que ele possa começar a cumprir seu propósito de, segundo a Marinha, “Elevar substancialmente a capacidade de resposta eficiente do Poder Naval frente ao enorme desafio de controle e proteção da ‘Amazônia Azul’, que encerra grandes reservas naturais e representa um terço da extensa fronteira do país”.

Segundo os pesquisadores, há fortes evidências de que a empresa suíça era então a única fornecedora de dispositivos de criptografia ao Brasil.

Em sua resposta, além de afirmar que “Desconhece, oficialmente, alegações de comprometimento da qualidade ou da segurança” dos equipamentos, a Marinha disse que estes “Atendem requisitos técnicos e de segurança, e são amplamente testados pela Força antes de serem operacionalizados”.

O atual nome operacional da empresa Crypto International AG, e ela que oferece os produtos que eram do portfólio da Crypto AG. No site da empresa, há uma advertência de que “a empresa foi fundada em 2018 e tem um proprietário diferente, uma administração diferente e uma abordagem diferente em comparação Crypto AG Nunca houve qualquer afirmação de que um equipamento vendido pela Crypto International AG foi manipulado”.

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Originalmente Publicado: 22 de Novembro de 2020 às 10:09

Fonte: Globo