O caso que chocou o Brasil em novembro de 2020 ganhou novos contornos com a reportagem da revista ISTOÉ. De acordo com a matéria, as imagens do circuito interno de segurança do supermercado Carrefour, na Zona Norte de Porto Alegre, mostram que um dos seguranças responsáveis pela abordagem manteve João Alberto Silveira Freitas imobilizado no chão com o joelho pressionado contra o seu pescoço e costas por aproximadamente três minutos, até que ele parasse de respirar. A revelação aprofundou o debate sobre violência, racismo e os limites da atuação de seguranças privados no país.

O contexto do crime

Na noite de 19 de novembro de 2020, João Alberto, um homem negro de 40 anos, foi ao Carrefour do bairro Passo d'Areia acompanhado de sua esposa, Milena. Após um desentendimento dentro do estabelecimento, seguranças do mercado foram acionados e o arrastaram para fora da loja. O que se seguiu foi uma sequência de agressões que culminaram em sua morte. A versão inicial da defesa dos seguranças foi rapidamente contestada pelas imagens que vieram a público, mostrando uma abordagem violenta e desproporcional.

Os detalhes da reportagem da ISTOÉ

A reportagem da ISTOÉ, intitulada "RS: Segurança do Carrefour sufocou João Alberto com o joelho por três minutos", trouxe uma análise minuciosa do laudo pericial e das gravações. O principal ponto destacado foi o tempo de compressão. Especialistas ouvidos pela revista afirmaram que a manobra de contenção, com o peso de um homem sobre o tórax e pescoço da vítima, é altamente perigosa e proibida em cursos de formação. A publicação também destacou a omissão dos demais funcionários do estabelecimento, que nada fizeram para impedir a ação. Segundo a perícia, a causa da morte foi asfixia mecânica, provocada pela compressão torácica prolongada.

Repercussão nacional e internacional

O caso rapidamente saiu das páginas policiais e ganhou as ruas. Manifestações contra o racismo e a violência foram organizadas em diversas capitais brasileiras. Em Porto Alegre, a unidade do Carrefour onde ocorreu o crime foi alvo de protestos e depredações. Entidades como a OAB, o movimento negro e a Anistia Internacional repudiaram o ocorrido. A comoção gerada pelo caso foi comparada ao assassinato de George Floyd nos Estados Unidos, ocorrido alguns meses antes. O Carrefour anunciou medidas, como a demissão dos seguranças envolvidos e a criação de um comitê antirracismo, mas o episódio já havia se tornado um símbolo da violência contra a população negra no Brasil.

Investigação e desfecho judicial

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul instaurou inquérito para apurar o homicídio. O delegado responsável destacou a "absoluta desproporção" na abordagem. Os seguranças Magno Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva, este último policial militar reformado, foram indiciados por homicídio triplamente qualificado. A presença de um policial militar no episódio acirrou ainda mais o debate sobre a formação e conduta das forças de segurança. O caso foi levado ao Tribunal do Júri, onde os réus foram julgados e condenados pela morte de João Alberto. A família da vítima moveu uma ação de indenização por danos morais e materiais contra o Carrefour, tornando o caso um marco na jurisprudência sobre a responsabilidade de empresas por atos de seus funcionários.

Perguntas frequentes sobre o caso João Alberto

O que aconteceu com João Alberto no Carrefour?

João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, foi espancado até a morte por seguranças do supermercado Carrefour no bairro Passo d'Areia, em Porto Alegre, no dia 19 de novembro de 2020. A causa da morte foi asfixia mecânica provocada pela compressão do tórax e pescoço durante a imobilização.

O que a reportagem da ISTOÉ revelou de novo sobre o caso?

A revista ISTOÉ teve acesso a imagens exclusivas das câmeras de segurança. A principal revelação foi que um dos seguranças manteve João Alberto imobilizado no chão com o joelho pressionando seu pescoço e costas por cerca de três minutos, detalhando o tempo exato da compressão que levou à asfixia.

Os seguranças foram presos e julgados?

Sim, os seguranças Magno Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva foram presos preventivamente logo após o crime. Eles foram indiciados por homicídio triplamente qualificado e levados a julgamento pelo Tribunal do Júri, onde foram condenados pela morte de João Alberto.

O caso foi considerado crime de racismo?

Embora a polícia não tenha enquadrado o caso como racismo na tipificação inicial do inquérito, o caso gerou um forte e amplo debate sobre racismo estrutural, violência policial e o genocídio da população negra no Brasil, sendo citado internacionalmente como um exemplo de brutalidade e discriminação racial.

Quais foram as medidas tomadas pelo Carrefour após o ocorrido?

O Carrefour demitiu os seguranças envolvidos, fechou a loja onde o crime ocorreu para reformas e criou um comitê interno contra o racismo. A empresa também firmou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para promover ativamente a igualdade racial em suas operações.