O último episódio da série The Stand, adaptação da clássico homônimo de Stephen King, foi ao ar no dia 31 de dezembro de 2020 no serviço de streaming CBS All Access (nos Estados Unidos) e já está disponível em plataformas internacionais. A produção, que teve nove episódios, gerou discussão entre fãs do livro ao apresentar um desfecho significativamente diferente do romance original, como confirmou o showrunner Benjamin Cavell em entrevista ao Entertainment Weekly.

A obra original de Stephen King

Publicado originalmente em 1978, The Stand (no Brasil, A Dança da Morte) é um dos romances mais ambiciosos de King. A trama se passa em um mundo devastado por uma pandemia de gripe superbactéria (o "Captain Trips") que elimina mais de 99% da população mundial. Os poucos sobreviventes começam a ter sonhos que os atraem para dois pólos opostos: a idosa Mother Abagail, representante do bem, em Boulder, Colorado; e o sinistro Randall Flagg, encarnação do mal, em Las Vegas, Nevada. O confronto entre as duas forças resulta em uma explosão nuclear enviada por intervenção divina, que destrói ambos os lados, poupando apenas um pequeno grupo de personagens. King lançou uma versão expandida e revisada do livro em 1990, acrescentando cerca de 400 páginas e atualizando referências culturais.

Adaptações anteriores

Em 1994, a ABC exibiu uma minissérie de quatro episódios dirigida por Mick Garris, com Gary Sinise (Stu Redman), Molly Ringwald (Frannie Goldsmith), Rob Lowe (Nick Andros) e um jovem Jamey Sheridan como Randall Flagg. Embora limitada pelos padrões da televisão da época e pelo orçamento reduzido, a minissérie foi considerada razoavelmente fiel ao livro e conquistou uma base de fãs, tornando-se um clássico cult para os admiradores de King.

A nova série de 2020

A nova versão foi desenvolvida por Josh Boone (conhecido por A Culpa é das Estrelas) e Benjamin Cavell, e contou com um elenco estelar: Whoopi Goldberg como Mother Abagail, Alexander Skarsgård como Randall Flagg, James Marsden como Stu Redman, Amber Heard como Nadine Cross, Odessa Young como Frannie Goldsmith, e Henry Zaga como Nick Andros. A série teve a liberdade de um formato mais longo para explorar subtramas e aprofundar personagens que na minissérie de 1994 foram apenas esboçados. Além disso, a produção incorporou elementos contemporâneos, como a própria pandemia, para dar novos significados à história.

Foto de 'The Stand'

Principais diferenças entre a série e o livro

O showrunner Benjamin Cavell afirmou que o oitavo e último episódio da série tem um final "que difere consideravelmente da obra impressa". A equipe criativa optou por encerrar a história de forma menos apocalíptica e mais aberta. Confira as principais diferenças:

  • Explosão final: No livro, os sobreviventes de Boulder enviam um grupo a Las Vegas. Flagg lança misseis nucleares, mas a mão de Deus faz com que uma bomba exploda, aniquilando os seguidores de Flagg e a maioria dos heróis, exceto Stu, Tom e o cachorro Kojak. Na série, a explosão poupa vários personagens importantes e a destruição acontece sem uma detonação que mate todos.
  • O destino de Randall Flagg: Enquanto no livro Flagg é morto pela explosão (e depois ressuscita em outra forma em outras histórias de King), na série seu destino é deixado em aberto. Após o confronto, ele desaparece, sugerindo que pode retornar caso a série seja renovada para uma segunda temporada.
  • Personagens combinados e subtramas: Para condensar a narrativa, alguns personagens foram amalgamados (como o papel de Larry Underwood e Glen Bateman ganham maior destaque) e certas passagens do livro foram omitidas ou rearranjadas, com o objetivo de dar mais ritmo à trama televisiva.
  • Tom contemporâneo: A série insere referências à pandemia real de COVID-19 e a tensões políticas atuais, algo que não estava no original, mas que Cavell justificou como uma extensão natural da ideia de King sobre o bem contra o mal em "uma época como a nossa".

O final em aberto e a possibilidade de segunda temporada

Em entrevista, Cavell comentou: "As pessoas que não leram o livro vão ficar felizes, mas as pessoas que leram o livro vão ficar... Bem, elas vão ver que não é o final que elas esperavam". Ele explicou que a decisão de mudar o final veio do desejo de adaptar a história para os dias de hoje: "O livro foi escrito nos anos 1970 e publicado em 1978. King fez uma nova versão em 1990 e agora nós estamos fazendo uma nova versão. Acho que a história se adaptou". A série termina com o destino de Flagg em aberto, e a CBS All Access ainda não confirmou a produção de uma segunda temporada, mas as portas ficaram escancaradas para uma continuação que explore o que acontece depois da batalha final.

Perguntas frequentes sobre a série

  • Preciso ler o livro antes de ver a série? Não, a série foi pensada para ser compreendida independentemente, mas quem já conhece o romance conseguirá identificar as diferenças e apreciar as referências.
  • A série de 2020 é melhor que a minissérie de 1994? As opiniões se dividem. A nova versão tem produção mais caprichada, elenco de peso e uma abordagem mais sombria, mas a minissérie antiga é considerada mais fiel ao livro e tem um tom nostálgico que agrada os fãs de longa data.
  • A série de 2020 tem cenas pós-créditos? Não há cenas pós-créditos no final, mas o último episódio deixa ganchos claros para uma continuação.

The Stand está disponível no CBS All Access (EUA) e em serviços de streaming internacionais, como Amazon Prime Video e Globoplay (no Brasil). A série recebeu críticas mistas, mas a atuação de Alexander Skarsgård como Randall Flagg foi amplamente elogiada. Se você é fã de Stephen King ou de ficção pós-apocalítica, essa adaptação merece ser conferida, especialmente para quem quer comparar diferentes visões de uma mesma obra ao longo do tempo.