O Brasil registrou um superávit comercial de US$ 50,99 bilhões em 2020, o maior da série histórica. O valor supera o saldo positivo de US$ 39,4 bilhões registrado no ano anterior. O resultado recorde foi influenciado pela forte queda de 13,2% nas importações, que totalizaram US$ 158,9 bilhões, reflexo da recessão econômica causada pela pandemia de Covid-19.
As exportações brasileiras somaram US$ 209,9 bilhões no ano. O agronegócio foi o principal motor, com vendas expressivas de soja, milho, carnes e celulose para a China, que se recuperava economicamente mais rápido que o resto do mundo. A mineração também contribuiu com o aumento das vendas de minério de ferro.
A desvalorização do real frente ao dólar ao longo de 2020 foi outro fator que impactou o resultado. O câmbio desfavorável encareceu os produtos importados, reduzindo a demanda doméstica, mas aumentou a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, impulsionando as exportações.
Apesar do número recorde, especialistas alertam que o superávit foi mais um reflexo da crise interna do que um ganho de competitividade estrutural. A retração das importações indica a contração da atividade econômica no país. Para 2021, a expectativa era de que a retomada do crescimento global gerasse um fluxo de comércio mais equilibrado.