A balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 42 milhões em dezembro de 2020, interrompendo uma sequência de superávits mensais. O resultado negativo no último mês do ano foi influenciado pelo aumento das importações de bens de capital e combustíveis, mas não comprometeu o saldo acumulado do ano, que fechou com superávit de US$ 51 bilhões — o melhor desde 2017, segundo dados do Ministério da Economia.

O superávit recorde em 2020 foi puxado pela forte demanda chinesa por commodities como soja, minério de ferro e petróleo, que sustentaram as exportações mesmo durante a pandemia de Covid-19. A desvalorização do real frente ao dólar também tornou os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional, enquanto a recessão doméstica reduziu as importações de bens de consumo e insumos industriais.

Em dezembro, as exportações somaram US$ 20,7 bilhões e as importações US$ 21,1 bilhões. No acumulado do ano, as exportações atingiram US$ 209,9 bilhões, ante US$ 158,9 bilhões em importações. Soja, minério de ferro e petróleobruto lideraram a pauta de vendas externas, respondendo por cerca de 35% do total exportado.

O resultado da balança comercial foi amplamente repercutido pela mídia especializada, que destacou a resiliência do setor exportador brasileiro em um ano marcado pela crise sanitária global. Para 2021, as projeções iniciais apontavam para a manutenção de superávits, embora em patamares inferiores, devido à recuperação gradual da economia doméstica e ao comportamento dos preços das commodities.